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Investigação de Diogo Barbosa ajuda a compreender evolução do antigo Convento de São Domingos

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“Evolução histórico-formal do antigo Convento de São Domingos, Guimarães” foi o tema da dissertação de mestrado de Diogo Barbosa, desenvolvida sob orientação do professor Jorge Correia, na Escola de Arquitectura, Arte e Design (EAAD), da Universidade do Minho. Uma investigação que surgiu “de forma inesperada”. “A Sociedade Martins Sarmento carecia de um levantamento vetorial do seu claustro, pelo que solicitou o apoio da comunidade da EAAD”, recorda, ao explicar como aproveitou a oportunidade. “Para nossa surpresa, a par da não existência deste levantamento vectorial, também nunca sido feito um estudo da história e arquitectura tanto do claustro como da igreja de São Domingos. Ambos integravam o antigo Convento de São Domingos de Guimarães, sendo fundamental que o trabalho abrangesse todo o conjunto, que se encontra agora tão multifacetado. Estas várias facetas só poderiam ser entendidas ao compreender a história e origens do edificado e a sua evolução construtiva ao longo dos seus vários séculos”, refere.

“É um exemplar único da expressão da arquitectura gótica em Guimarães”

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“À semelhança de outras ordens mendicantes, os dominicanos vimaranenses procuraram construir na periferia do núcleo urbano. Para tal, foram-lhes oferecidas propriedades próximas ao Largo do Toural, tendo a construção começado em 1271. Já no reinado de D. Dinis foi construída a muralha em torno da «Vila Baixa». Esta foi edificada muito próxima ao convento, o que se tornou um grande risco para a segurança da cidade já que as tropas invasoras conseguiam subir ao telhado da igreja e atravessar a muralha. Por este motivo, foi ordenada a demolição do convento de São Domingos em 1323. Somente 50 anos depois iniciou-se a construção da igreja actual, em 1375, a “130 passos” (106,60 metros) de distância do seu local original. A primeira edificação do convento de São Domingos foi totalmente demolida e não se conhecem, até ao momento, quaisquer vestígios arqueológicos. Supõe-se que a sua segunda e actual edificação ter-se-á construído de raíz, não se tratando de uma “simples” transladação e reaproveitamento da primeira igreja”, contextualiza o arquitecto. 

“Ainda hoje a Sociedade Martins Sarmento utiliza alguns dos antigos espaços monásticos, como o claustro. Certamente, é graças aos seus trabalhos de preservação e salvaguarda que estes espaços ainda existem. Porém, no século XX, com a necessidade de expandir e melhorar os seus espaços museológicos, as intervenções do arquitecto José Marques da Silva acabaram por substituir o edifício que, em tempos, fora o dormitório conventual. Este mesmo edifício foi também a primeira biblioteca pública de Guimarães, inaugurada em 1869, e, em 1888, foi adaptado para abrigar a sede e biblioteca da Sociedade Martins Sarmento”, elucida o arquitecto que orientou recentemente uma visita nos claustros da SMS.

Após a extinção das ordens religiosas, em 1834, o convento de S.Domingos ficou, na sua maioria, entregue à Câmara de Guimarães. “Pela segunda metade do século XIX, este encontrava-se já bastante degradado. Na mesma época, a necessidade de modernizar o tecido urbano da cidade resultou na demolição de algumas dependências do antigo convento. Aconteceu, por exemplo, com a abertura da Rua Paio Galvão, que substituiu a antiga Rua Por Trás do Mosteiro, e melhorou o acesso à Praça do Toural. Com a construção da Praça do Mercado (atual Plataforma das Artes), foi aberta uma nova rua entre o antigo Convento de São Domingos e a igreja da Venerável Ordem Terceira de São Domingos, de forma a conectar a Rua D. João I ao novo mercado. Para tal, foi demolida parte do convento que em tempo funcionou como o refeitório dos frades”, revela, acrescentando que “este conjunto ainda retém grande parte dos seus antigos espaços conventuais. A igreja permanece intacta, juntamente com as suas capelas e sacristia, e encontra-se musealizada. O claustro não se mostra tão completo, mas mantém a sua arcaria medieval e permanece conectado à antiga sala do capítulo (que foi bastante modificada). A preservação deste tipo de espaços nem sempre acontece, pelo que existem muitos poucos exemplos de claustros semelhantes ao de São Domingos de Guimarães. Aquando da sua construção, São Domingos integrava-se no programa artístico e arquitectónico religioso da cidade e as semelhanças com a Colegiada e com o Convento de São Francisco são ainda evidentes. Ainda assim, o claustro de São Domingos é um exemplar único da expressão da arquitectura gótica na cidade de Guimarães, e, até, na região do Entre Douro e Minho. 

A dissertação de Diogo Barbosa faz uma análise histórica e morfológica do conjunto edificado do antigo convento de São Domingos, actualmente dividido em duas entidades distintas: a igreja, paróquia da freguesia de São Paio, e o claustro e espaços anexos, que pertencem à Sociedade Martins Sarmento. Com o objectivo de compreender a evolução do conjunto edificado, foi realizada uma extensa pesquisa bibliográfica, seguindo-se o levantamento arquitetónico do objecto. O cruzamento de todos os dados e ferramentas adquiridas permitiu a criação de uma cronologia que  sintetiza as possíveis fases construtivas do objeto, tornando possível compreender a sua integração no contexto arquitetónico nacional e o seu valor patrimonial. 

*Texto publicado na edição de 27 de maio do jornal O Comércio de Guimarães.

Publicado em: 02/06/2026

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