A política de habitação voltou a marcar o período de antes da ordem do dia da reunião do executivo municipal de Guimarães, com o vereador do PS Ricardo Costa e o presidente da Câmara, Ricardo Araújo, a protagonizarem uma troca de argumentos sobre os resultados do anterior mandato e os objetivos do atual Executivo.
Ricardo Costa começou por questionar aquilo que considerou ser uma mudança de discurso do actual presidente da Câmara, comparando as críticas que Ricardo Araújo fazia enquanto vereador da oposição com a posição que assume agora enquanto responsável pelo município.
O Vereador socialista reconheceu que a política de habitação no anterior mandato enfrentou dificuldades, nomeadamente “procedimentos desertos, desistências de promotores, problemas de financiamento e alterações nas condições do mercado”. Contudo, defendeu que os processos entretanto concluídos têm uma história anterior à tomada de posse do actual Executivo.
Nesse contexto, destacou as 75 habitações previstas para Fermentões, sublinhando que o processo teve origem num procedimento de oferta pública de aquisição de até 401 habitações aprovado pela Câmara Municipal em novembro de 2024.
Ricardo Costa lembrou ainda que, em Setembro de 2025, foi aprovada a intenção de aquisição das 75 habitações ao mesmo promotor, pelo valor de 12,747 milhões de euros, decisão posteriormente sancionada pela Assembleia Municipal. “Não nos custa reconhecer o trabalho dos outros. Apenas sugerimos ao senhor Presidente que experimente fazer o mesmo”, afirmou.
O Socialista questionou o presidente da Câmara sobre o número de propostas entretanto recebidas, o número de habitações a que correspondem, quantas foram consideradas elegíveis, em que fase está o procedimento e qual o calendário previsto para a sua concretização.
“Não lhe perguntamos hoje pelo passado, perguntamos hoje pelo presente”, afirmou, defendendo que as 326 habitações constituem uma oportunidade para avaliar directamente a atuação do actual Executivo. O socialista acusou ainda Ricardo Araújo de aplicar critérios diferentes consoante a posição política ocupada. “Não podemos aceitar que as dificuldades de ontem fossem incompetência e as dificuldades de hoje sejam complexidade”, afirmou.
Na resposta, Ricardo Araújo recuperou as críticas que já tinha feito na última Assembleia Municipal e foi mais longe, questionando os resultados da política de habitação dos anteriores 12 anos. “Eu digo-lhe assim, senhor Vereador, diga-me lá o que é que correu bem”, questionou. “Diga-me lá uma coisa que tenha corrido bem na política de habitação nos últimos 12 anos”, acrescentou.
O presidente da Câmara afirmou que não pretende ser avaliado pelo número de procedimentos lançados ou pelas primeiras pedras das obras, mas pelo número efectivo de habitações disponibilizadas aos vimaranenses até ao final do mandato. “Eu quero ser avaliado, no fim do mandato, por quantas habitações, neste mandato, nós disponibilizamos aos vimaranenses”, declarou.
Ricardo Araújo considerou que o actual Executivo parte de uma situação negativa na área da habitação e acusou os anteriores executivos socialistas de não terem construído habitação pública durante os três mandatos anteriores.
“O vosso balanço é zero”, reiterou, classificando-o como “uma nulidade completa”. O presidente acrescentou que, na sua perspectiva, não esteve apenas em causa uma questão de execução, mas também de “prioridade política”.
Três propostas já em análise
Sobre o procedimento actualmente em curso para a aquisição das restantes habitações, Ricardo Araújo garantiu que o processo está a avançar e revelou uma actualização face à informação anteriormente transmitida.
Segundo o presidente da Câmara, havia inicialmente uma proposta apresentada na primeira fase, mas foram entretanto submetidas mais duas propostas, encontrando-se as três em análise. “Já hoje tive a informação que já foram submetidas mais duas propostas, que estão em análise”, revelou.
Ricardo Araújo explicou que o procedimento contempla três fases e deverá ficar concluído até Novembro, altura em que o município fará a respectiva avaliação.
O Autarca garantiu também que o Executivo está a trabalhar em alternativas para aumentar o parque habitacional público e a habitação a custos controlados, incluindo através de parcerias entre o setor público e o privado.
Publicado em: 28/09/2026