Os presidentes das câmaras municipais de Guimarães e de Braga anunciaram esta terça-feira o arranque formal do processo para a criação da Área Metropolitana do Minho, uma estrutura que pretendem ver agregando, numa primeira fase, os municípios das comunidades intermunicipais do Ave e do Cávado.
No final da primeira reunião formal entre os dois autarcas, realizada em Braga, Ricardo Araújo e João Rodrigues assumiram o compromisso de liderar o processo político e institucional, considerando que este representa “um dia histórico” para a região.
“O grande anúncio de hoje é que damos o pontapé de saída para a criação da Área Metropolitana do Minho”, afirmou o presidente da Câmara de Braga, João Rodrigues, defendendo que os dois maiores pólos urbanos da região têm “a obrigação” de liderar este processo, depois de anos de estudos e intenções sem consequências práticas.
Também Ricardo Araújo considerou que chegou o momento de passar “dos estudos à ação”. “Ou continuamos a estudar, o que é sempre importante, ou damos passos concretos. É isso que hoje estamos aqui a fazer”, afirmou o autarca vimaranense.
Como primeiro passo, os dois presidentes vão solicitar uma reunião ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, para apresentar formalmente a iniciativa e dar início ao percurso legislativo necessário à criação da nova entidade administrativa.
Apesar desse contacto com o Governo, João Rodrigues fez questão de sublinhar que “não vamos pedir licença nem a bênção de ninguém”, lembrando que a constituição de uma área metropolitana depende de uma alteração legislativa, mas também da manifestação de vontade dos municípios envolvidos.
Mobilidade, habitação
e planeamento entre prioridades
Os dois autarcas defenderam que a nova estrutura permitirá uma resposta mais eficaz a desafios comuns. Ricardo Araújo salientou que já existem exemplos concretos de cooperação entre as comunidades intermunicipais do Ave e do Cávado, destacando o futuro concurso conjunto para a prestação dos serviços de transporte público rodoviário, previsto para 2028.
“O funcionamento da região já é, em muitos aspetos, metropolitano. As deslocações para trabalho, educação e acesso a serviços demonstram essa realidade”, afirmou.
João Rodrigues acrescentou que uma área metropolitana permitirá dotar a região de uma “caixa de ferramentas” com capacidade para coordenar políticas públicas e captar financiamento, reforçando igualmente o peso político do Minho junto do Governo.
Processo começa no Ave e no Cávado
Os dois presidentes revelaram ainda que irão apresentar a proposta das respectivas comunidades intermunicipais, procurando mobilizar os restantes municípios para integrarem o projecto.
Embora admitam que, no futuro, a área metropolitana possa ser alargada a outros concelhos, incluindo Viana do Castelo, defendem que a prioridade passa por avançar com os municípios do Ave e do Cávado. No conjunto, este território reúne cerca de 700 mil habitantes.
Questionados sobre prazos, os autarcas evitaram estabelecer datas para a concretização da nova área metropolitana, lembrando que o processo depende da aprovação de alterações legislativas pela Assembleia da República.
Ainda assim, garantiram que pretendem avançar “tão breve quanto possível” e manifestaram confiança na obtenção de um consenso político alargado em torno da iniciativa.
Publicado em: 21/07/2026