O presidente da Câmara de Guimarães, Ricardo Araújo, apresentou esta sexta-feira a proposta de Plano e Orçamento Municipal para 2026, no valor de 220 milhões de euros, sublinhando tratar-se de um documento “responsável, equilibrado e orientado para o investimento”, que marca o início de um novo ciclo político no concelho.
Do total previsto, 131 milhões de euros correspondem a receitas correntes e 88 milhões a receitas de capital. A despesa corrente ascende a 104 milhões, sendo 40 milhões destinados a pessoal. O autarca destacou que as receitas correntes superam as despesas, criando um saldo de 27 milhões de euros a canalizar totalmente para investimento.
Ricardo Araújo frisou que o orçamento “não compromete o futuro financeiro do município” e é fortemente influenciado pelas obras a concluir no âmbito do PRR e do Portugal 2030. Só o pacote de investimentos financiado pelo PRR atinge 65 milhões de euros, sendo que aproximadamente 50%% financiamento da própria autarquia, obrigando a um “esforço muito relevante” da autarquia para complementar a comparticipação estatal.
O Presidente confirmou ainda mudanças na política fiscal. A proposta prevê a redução da taxa de IMI de 0,33% para 0,32% e a diminuição de 0,25% na participação variável do IRS, iniciando a descida faseada dos actuais 5% para 4% durante o mandato. “Cumprimos o compromisso: reforçamos o rendimento das famílias e a atractividade para o investimento”, afirmou.
Entre os investimentos previstos, destacam-se na saúde a construção do Centro de Saúde da Encosta da Penha e reabilitação de outros centros de saúde. Na educação, as intervenções nas EB 2,3 de S. Torcato , Pevidém e Santos Simões e novo pavilhão gimnodesportivo e biblioteca da Escola João de Meira. Quanto à habitação, o Edil garantiu o arranque da construção das 75 habitações do programa 1.º Direito, com “forte esforço financeiro municipal devido a atrasos acumulados”. O Autarca acrescentou ainda o apoio na acção social, com aumento de 36% das verbas de apoio e reforço de vagas em creche, incluindo a possibilidade de uma nova creche municipal.
O orçamento contempla também a conclusão dos estudos para o MetroBus entre Guimarães e Braga – pelo menos a parte norte do concelho vimaranense -, a elaboração do Plano de Mobilidade Urbana Sustentável e negociações para reforçar horários e cobertura dos transportes públicos. “É essencial que sejam uma alternativa real ao automóvel”, disse Ricardo Araújo.
Enquanto Capital Verde Europeia em 2026, Guimarães investirá 2,3 milhões de euros em iniciativas ambientais. O município avança ainda com projectos de inovação como a reabilitação da Fábrica do Arquinho, as residências de estudantes no Avepark e a conclusão da Escola-Hotel do IPCA.
O autarca confirmou verbas específicas para aquisição de terrenos destinados a habitação, expansão industrial e projectos como a futura Academia Desportiva do Vitória. A revisão do Plano Diretor Municipal será central para “aumentar o solo urbano disponível”.
Já a nível cultural e desportivo, regressa a Noite Branca, mantêm-se os eventos regulares, os exames médicos desportivos passam a ser gratuitos e prepara-se a celebração dos 900 anos da Batalha de São Mamede.
Ricardo Araújo resume o documento como “um orçamento de prioridade máxima à saúde, educação, mobilidade e habitação, com contas equilibradas e uma política fiscal amiga das famílias”.
Publicado em: 05/12/2025