O Caminho de Torres, que atravessa o concelho de Guimarães, na ligação entre Sernancelhe, no distrito de Viseu e Valença, seguindo depois para Santiago de Compostela, foi certificado pelo Governo, de acordo com uma portaria que foi publicada em Diário da República na passada sexta-feira.
O novo Caminho Português de Santiago tem uma extensão de 180,49 quilómetros e atravessa 15 municípios: Sernancelhe, Moimenta da Beira, Tarouca, Lamego, Peso da Régua, Mesão Frio, Baião, Amarante, Felgueiras, entrando no Minho por Guimarães, seguindo para Braga, Vila Verde, Ponte de Lima, Paredes de Coura e Valença.
A certificação realça a existência de “condições de segurança, transitabilidade, equipamentos de apoio e informação”.
Na portaria, o Governo destaca a antiguidade do itinerário e do uso consistente até ao presente que se encontra documentada por uma “rigorosa pesquisa académica, suportada por registos escritos, vestígios arqueológicos e outros bens patrimoniais de relevo”: a Sé de Lamego e a sua capela de São Sebastião; o túmulo de São Gonçalo e a ponte sobre o Tâmega em Amarante; o mosteiro de Pombeiro; a imagem de Santa Maria de Guimarães e a colegiada de Nossa Senhora da Oliveira; os conventos de São Francisco e de São Domingos, últimas moradas de São Gualter e do beato Frei Lourenço Mendes, também em Guimarães; a Catedral de Braga; ou a Ponte de Ponte de Lima, um “dos símbolos mais emblemáticos das peregrinações jacobeias em território nacional”.
A dimensão patrimonial do Caminho de Torres é um dos factores de destaque deste itinerário que atravessa duas unidades classificadas de Património Mundial da UNESCO – o Alto Douro Vinhateiro e o Centro Histórico de Guimarães – passando ainda por outras áreas de “relevância nacional e internacional, elementos de referência que conferem ao itinerário uma multiplicidade de pontos de especial interesse, essencialmente pelo seu valor histórico, cultural, geográfico, paisagístico e territorial”.
“Valorizam-se ainda as manifestações de cultura imaterial e práticas de culto relacionadas com o Caminho de Santiago, bem como a interessante proposta de «caminho literário» associado a este itinerário, marcado pela sua proximidade aos espaços habitados por alguns dos autores mais relevantes da história cultural portuguesa, como Raul Brandão, Teixeira de Pascoaes, Miguel Torga, José Leite Vasconcelos, Camilo Castelo Branco ou Aquilino Ribeiro”, refere a portaria, indicando que o pedido de certificação do Caminho Português de Santiago – Caminho de Torres – Região Norte tem a concordância dos municípios atravessados e apresenta condições de segurança, transitabilidade, equipamentos de apoio e informação.
O documento atribuiu a certificação como itinerário do Caminho de Santiago o Caminho Português de Santiago – Caminho de Torres – Região Norte e reconhecidos como de elevado valor patrimonial os traçados históricos: Granja Nova – Mosteiro de Ferreirim (concelhos de Tarouca e Lamego); Lamego – Mesão Frio (concelhos de Lamego, Peso da Régua e Mesão Frio); Mesão Frio – Alto de Quintela (concelhos de Mesão Frio e Baião); circuito urbano de Amarante (concelho de Amarante); circuito urbano de Guimarães (concelho de Guimarães); circuito urbano de Braga (concelho de Braga); Braga – Torre de Penegate (concelhos de Braga e Vila Verde); circuito urbano de Ponte de Lima (concelho de Ponte de Lima).
Publicado em: 15/06/2026