Celebra-se em Outubro e continua a ser um tema tabu para muitas mulheres e homens. Mas não deveria ser. Mais do que o fim da menstruação, a menopausa representa uma verdadeira transição biológica, capaz de provocar mudanças em diferentes áreas da vida da mulher. Sono, humor, energia, sexualidade, composição corporal, saúde óssea e cardiovascular podem ser afectados. Para a ginecologista-obstetra Filipa Brás o mais importante é deixar de encarar estes sintomas como algo que simplesmente faz parte da idade.
Para ficarmos a conhecer melhor esta médica, que amavelmente aceitou responder a algumas perguntas e dúvidas, fomos ao seu encontro no Hospital da Luz Guimarães. A medicina surgiu na sua vida de forma natural, movida pelo interesse pelo corpo humano e pela ciência, mas também pela possibilidade de cuidar de pessoas “num momento em que muitas vezes estão mais vulneráveis”. Médica há 12 anos, dedicou grande parte do seu percurso à medicina de reprodução. Nos últimos três anos, porém, “a menopausa e a saúde da mulher na meia-idade passaram a ocupar um lugar cada vez mais importante na minha prática clínica”. Revelou-nos que se pudesse ter um super poder, gostaria que fosse o da “prevenção. Conseguir identificar mais cedo aquilo que vai comprometer a saúde de uma mulher no futuro e intervir antes de surgir a doença”. A parte mais sombria da profissão admite que talvez seja a incapacidade de resolver tudo e a que mais a encanta é o privilégio de acompanhar histórias de vida.
A menopausa não é uma doença, mas pode alterar profundamente a forma como uma mulher se sente e vive o seu dia-a-dia. “O que acontece é uma diminuição progressiva da actividade dos ovários e, consequentemente, da produção de estrogénios e progesterona”, explicou. A mudança hormonal não fica limitada ao aparelho reprodutor. Os receptores de estrogénio estão distribuídos por praticamente todo o organismo e, por isso, “a transição menopáusica pode repercutir-se no sono, no humor, na temperatura corporal, na pele, na massa muscular e óssea, no metabolismo, no sistema cardiovascular e também na saúde sexual”. Por isso, fez questão de ressalvar que “não estamos simplesmente a falar de ‘deixar de menstruar’. Estamos perante uma verdadeira transição biológica que pode ter manifestações muito diferentes de mulher para mulher”.
Entrevista na íntegra na BIGGERmagazine de Outubro!
Publicado em: 07/10/2026