Os Festivais Gil Vicente regressam a Guimarães entre os dias 4 e 13 de Junho, com uma programação que integra 12 espetáculos distribuídos por vários espaços da cidade, reforçando a diversidade artística e a ligação entre o teatro e a comunidade.
Na apresentação do evento, a vereadora da Cultura do Município de Guimarães, Isabel Ferreira, destacou a articulação entre o festival e as políticas culturais e educativas em curso, nomeadamente o Plano Nacional das Artes. A Autarca sublinhou a importância de preparar as escolas para o futuro, antecipando a criação de um Plano Municipal das Artes que promova uma maior ligação entre instituições, comunidade educativa e estruturas culturais locais.
“O objetivo é criar uma base de articulação e trabalho no território, envolvendo escolas, professores, alunos e agentes culturais, promovendo não só competências, mas também o desenvolvimento emocional”, afirmou. Isabel Ferreira reforçou ainda o papel do teatro como “pilar essencial” neste processo, defendendo um Teatro Oficina mais próximo da comunidade e das escolas, para além da simples produção de espetáculos.
Também o presidente executivo d’A Oficina, Jorge Silva, destacou o papel do teatro na sociedade contemporânea, sublinhando a sua capacidade de contrariar a “dispersão” e a “alienação” actuais. “Trabalhamos emoções e é isso que queremos oferecer. No futuro, com mais tempo livre proporcionado pela tecnologia, aquilo que iremos produzir serão territórios emocionais”, afirmou, valorizando ainda a presença de professores e coordenadores ligados ao Plano Nacional das Artes na apresentação.
Já Filipa Pereira, presidente do Círculo de Arte e Recreio, salientou o regresso mais activo da instituição à dinâmica do festival, com a apresentação de um espetáculo na sua sede. “Voltamos à ancestralidade destes festivais, o que nos deixa muito contentes. Este envolvimento traz um significado e uma emoção acrescida à nossa participação”, referiu.
A direção artística do Teatro Oficina, liderada por Bruno dos Reis, destacou duas linhas orientadoras da edição deste ano: a experimentação de novos formatos e horários, e a aproximação a uma “nova tessitura criativa” em Guimarães. O responsável explicou que o festival procura testar modelos que possam influenciar futuras edições, com espetáculos em diferentes horários e locais, como o Centro Cultural Vila Flor, os seus jardins e o Café Concerto.
Além disso, o programa inclui uma “antecâmara” alargada, com ensaios abertos, sessões de criação crítica e projetos colaborativos envolvendo estudantes da Universidade do Minho e criadores locais. A temática da herança surge como eixo transversal dos espetáculos, refletindo sobre o passado e o seu impacto no presente.
Publicado em: 28/04/2026