A Câmara de Guimarães vai investir 300 mil euros na edição deste ano da Feira Afonsina que vai decorrer entre os dias 11 e 14 deste mês, sob o tema “A Afirmação do Infante”.
Na apresentação do programa do evento, em conferência de imprensa realizada esta manhã, junto à igreja de São Miguel, a vereadora da cultura recuou à época medieval, mais precisamente há 900 anos, observando que o “ano de 1926 surge como o ponto de ruptura definitivo nas disputas territoriais, marcando o início da afirmação política directa de D. Afonso Henriques ao tomar as rédeas do Condado Portucalense, “para evitar a submissão ao primo (Afonso VII) e o domínio galego imposto pela mãe”.
Na edição deste ano, a Feira Afonsina terá as habituais áreas temáticas, com o Quelho das Desgraças, o Poiso das Barricas, a Praça de Ofícios, o Jardim dos Infantes, o Largo do Oculto e o arraial, contando com diversas estruturas de apoio e informação. O mercado das iguarias e a zona de mercadores distribuem-se pelo espaço.
O momento de recriação histórica “A Afirmação do Infante” terá lugar nos dias 11, 12 e 13, às 22h00, decorrendo na Colina do Castelo, voltada para o Campo de São Mamede.
O espectáculo de encerramento “Folguedo Final” acontecerá no dia 14, às 21h30, com início junto à Estátua de D. Afonso Henriques e percurso até ao Largo da Oliveira.
Mostrando-se satisfeita com o envolvimento existente nesta fase de organização, Isabel Ferreira indicou que a área do certame estende-se à Rua Egas Moniz e ao Largo de Donães, aumentando o número de mercadores. “Todas as associações vimaranenses que apresentaram candidaturas, seja do âmbito da cultura, recreativas e desportivas e obviamente cumprindo os requisitos para participar neste evento, foram aceites. Temos também mais entidades privadas a participar porque o número de espaços dedicados aos mercadores também aumentou”, referiu, ao destacar a aposta na melhoria da acessibilidade e da inclusão, “para que mais pessoas possam desfrutar desta experiência”, estando prevista a criação de estacionamento reservado a automóveis portadores de dístico de pessoa com deficiência em vários locais da Cidade, montagem de casas de banho adaptadas na Rua Serpa Pinto, Largo Condessa do Juncal e Campo de São Mamede, horários de menor estimulação sensorial, transporte acessível para pessoas com mobilidade reduzida.
Feira Afonsina antecipada: “não podemos mover a Ronda da Lapinha”
Durante a conferência de imprensa, Paulo Covas, chefe de divisão de cultura do Município, justificou a antecipação da feira com outros eventos previstos que, pelas suas características, a realização da Feira Afonsina numa data próxima do 24 de Junho – Dia Um de Portugal. “Voltamos ao modelo de feira com quatro dias. No ano passado, foram cinco dias. Há outras actividades que não podiam ser mudadas, como é o caso da Ronda da Lapinha. Tínhamos pensado realizar a Feira Afonsina nesse fim de semana, mas não podemos mover a Ronda da Lapinha. Por isso, teve que se mover a Feira Afonsina”, revelou, precisando que o evento abrirá às 18h00 no dia 11, decorrendo até às 1h00. Nos dias 12 e 13 funcionará das 11h30 às 01h00. No último dia, decorrerá entre as 11h30 e as 22h00.
O evento quer proporcionar uma experiência única aos visitantes e aos participantes, destacando-se um elevado número de voluntários empenhados em transformar e proporcionar uma viagem no tempo em toda a área do Centro Histórico.
O cartaz escolhido para a edição deste ano da Feira Afonsina é da autoria de João Soares.
O evento será complementado com a VII edição das Jornadas Históricas, com o tema “Afonso Henriques: corpo, imagem e poder”, marcadas para o próximo dia 20, na Sociedade Martins Sarmento.
Jornadas Históricas: “Afonso Henriques: corpo, imagem e poder”
Esta edição propõe uma abordagem multidisciplinar que procura compreender não apenas o percurso histórico do primeiro rei de Portugal, mas também as múltiplas formas como a sua imagem foi sendo construída, representada e reinterpretada ao longo do tempo.
O historiador António Amaro das Neves realçou a distinção existente entre “a história e a memória”, considerando que a iniciativa acontece num momento particularmente significativo, marcado pela proximidade das comemorações dos 900 anos da Batalha de São Mamede, marco fundador da nacionalidade portuguesa. Este contexto reforça a necessidade de reflexão em torno de D. Afonso Henriques, cuja figura tem vindo a assumir uma centralidade cada vez maior no debate histórico, patrimonial e identitário.
Amaro das Neves explicou que a tradição de comemorar a Batalha de São Mamede em Guimarães iniciou-se em 1928, “com uma missa, nem sequer era feriado municipal”. Só é feriado municipal pela primeira vez em 1974, por coincidência com a mudança política mas não teve nada a ver com 25 abril, porque já estava previsto que nesse ano iria ser feriado municipal. Antes o feriado era o dia 8 Junho que celebrava o Gil Vicente”.
Se na componente da investigação histórica perduram muitas dúvidas, continuou, “da memória temos muitas certezas”, contando as Jornadas Históricas com o contributo de cinco investigadores: Eugénia Cunha, com “Estudo Antropológico dos Reis: razões para a sua realização”, Raquel Henriques da Silva, com “Afonso Henriques segundo o escultor António Soares dos Reis”, Lúcia Maria Cardoso Rosas “Restaurar a Nação. Intervenções na arquitectura medieval de Guimarães”, Clara Isabel Serrano, com “Fundar a nação, legitimar o regime: Afonso Henriques na narrativa histórica do Estado Novo” e Maria de Lourdes Craveiro, com “Afonso Henriques: a centralidade do corpo”.
Na abertura das jornadas, será apresentada a VI edição da Revista Afonsina 2025 – D. Dinis e Guimarães.
Publicado em: 01/06/2026