Uma unidade de produção e testes de satélites ópticos vai ser instalada nas instalações da antiga Fábrica do Alto, na vila de Pevidém. A vereação vimaranense aprovou por unanimidade esta segunda-feira a cedência do edifício pertencente ao Município, em regime de comodato, para o Centro de Engenharia e Desenvolvimento de Produto (CEiiA) ali desenvolver o investimento que vai permitir alavancar a industrialização no sector da economia do espaço.
O Presidente da Câmara considerou o projecto “um passo importante” para o rumo futuro do desenvolvimento económico do Concelho, fazendo questão de vincar que a sua concretização surgiu já no seu mandato. “Em cinco meses, fomos capazes de identificar esta oportunidade, de ir atrás dela e de criar as condições para que a unidade se instale em Guimarães”, disse, ao sublinhar que o investimento é “o terceiro vértice” de um triângulo que procura “afirmar Guimarães como um polo ibérico de referência em inovação avançada, numa estratégia que tem sido suportada por investimento público e pela mobilização de parceiros estratégicos, destacando-se a instalação da Escola de Engenharia Aeroespacial da Universidade do Minho na antiga Fábrica do Arquinho, bem como a criação do Guimarães Space Hub, estrutura colaborativa que integra o Município, a Universidade do Minho e o CEiiA, aproveitando “o potencial da economia do espaço”.
“É uma prioridade atrair para Guimarães investimento nesta dimensão aeroespacial. Este é o primeiro investimento claro em termos de indústria, neste caso de produção de satélites. É uma indústria de ponta, com grande potencial no presente e no futuro. Mais importante do que a requalificação da fábrica é aquilo a que se destina”, apontou, acrescentando que este projecto posiciona Guimarães para que no seu território possa nascer “uma zona de acolhimento empresarial destinada à economia do espaço e às empresas que se dedicam a explorar estas áreas”. “Foi uma oportunidade que surgiu e tivemos juntamente com uma série de parceiros a tentar encontrar soluções para a mesma”, assinalou, ao precisar que o Município está a trabalhar com diferentes parceiros para que a unidade de produção “possa instalar-se em Guimarães nos próximos meses”.
Durante a discussão da proposta, o vereador do PS, Ricardo Costa, reconheceu a relevância do investimento. “Concordamos com esta visão porque o futuro será a democratização do espaço, à sua apropriação pelas pessoas, faremos férias no espaço. Por isso, concordamos com a entrega ao CEiiA”, assumiu, desafiando o Presidente da Câmara a olhar para a Fábrica do Alto e para o “pulmão” empresarial de Selho São Jorge, dando seguimento ao propósito inicial que presidiu à aquisição daquele imóvel. “Foi possível agregar entidades muito importantes e existem ali muitos edifícios industriais onde pode ser criado um ecossistema de inovação industrial, espacial e de defesa. Temos de preparar as empresas de Guimarães para a democratização do espaço”, anotou.
O Presidente da Câmara explicou que o Município continua a trabalhar com os parceiros envolvidos na infraestrutura tecnológica da Academia Digital/Fábrica do Futuro – a Associação Laboratório Colaborativo em Transformação Digital – DTX, da Associação CCG/ZGDV – Centro de Computação Gráfica, do Polo de Inovação em Engenharia de Polímeros – PIEP e do Centro para a Valorização de Resíduos – CVR, no sentido de “densificar o conteúdo funcional desse projecto”. “Estávamos a falar de um investimento na ordem dos 10 milhões de euros em que havia um um milhão de euros de fundos comunitários. Por isso, esse projecto nunca avançou. Neste momento, a Câmara não vai gastar dinheiro e encontrou parceiros para assumir a reabilitação do imóvel, num sector de grande futuro como é a economia do espaço”, sustentou, destacando que a instalação em Guimarães da fábrica de satélites ópticos resulta dos contactos mantidos ao nível da diplomacia económica, tendo o desenvolvimento económico do concelho como uma das prioridades do mandato.
Na proposta aprovada, justifica-se que “no âmbito da fase de industrialização do projecto «Constelação do Atlântico», foi entendido que a “instalação, em Guimarães, de uma unidade de produção de satélites ópticos liderada pelo CEiiA enquadra-se num contexto estratégico mais amplo, marcado pela necessidade de reforço da autonomia da União Europeia no domínio espacial, pelo crescimento acelerado da respectiva economia do espaço e pela crescente exigência de investimento em defesa e capacitação tecnológica”.
“Este modelo assenta numa lógica de governação colaborativa entre Município, academia e tecido empresarial, potenciando a transferência de conhecimento, a criação de novas empresas e a articulação entre inovação e indústria”, refere-se, indicando “o CEiiA constitui uma entidade de referência nacional na área da engenharia, inovação e desenvolvimento tecnológico, atuando na interface entre indústria, investigação científica e mercado; tem competências nas áreas da mobilidade, sistemas inteligentes, sustentabilidade e, de forma crescente, no setor aeroespacial; tem vindo a afirmar-se como um dos principais atores da economia do espaço em Portugal, designadamente através do desenvolvimento de satélites de observação da Terra, da participação em programas espaciais europeus e da integração em cadeias de valor internacionais; assume particular relevância na liderança na agenda mobilizadora NewSpace Portugal, financiada pelo PRR em 300 milhões de euros, no âmbito da qual se desenvolve o projeto estruturante “Constelação do Atlântico”, orientado para o desenvolvimento e produção de satélites óticos e de radar para observação da Terra, com aplicações nos domínios da defesa, segurança, monitorização ambiental, gestão de catástrofes e planeamento urbano, encontrando-se alinhado com programas europeus como o European Resilience from Space e o Copernicus”. “Esta iniciativa contribui para a consolidação do cluster aeroespacial local, promovendo um círculo virtuoso entre formação avançada, investigação e actividade económica, e reforçando o ecossistema de inovação e transferência de conhecimento”, refere.
A proposta de contrato de comodato tem um prazo de 25 anos, sendo as obras de adaptação, reabilitação e conservação da competência do CEiiA.
Publicado em: 30/03/2026