O Secretário de Estado da Administração Local e do Ordenamento do Território defendeu esta quinta-feira que os princípios de Guimarães 26 – Capital Verde Europeia devem servir de referência para a tornar o território mais resiliente para enfrentar os desafios das alterações climáticas.
Na cerimónia de abertura do ciclo de conferências «Plataforma Cidade», iniciativa da Casa da Arquitectura e da Direcção-Geral do Território iniciada no Laboratório da Paisagem, Silvério Regalado sustentou que “a administração tem de estar de mãos dadas com os arquitectos, com os paisagistas, com todos aqueles que ajudam a construir o território”. “É no equilíbrio das diferentes necessidades que os territórios podem ser sustentáveis e responder às exigências da qualidade de vida dos cidadãos”, argumentou, ao assumir que os agentes políticos têm “a obrigação, em conjunto com todos aqueles que aqui estão ou com as instituições que representam, construir um território que tem que estar mais preparado para resistir e para prevenir aquilo que é uma evidência”. “As alterações climáticas são uma evidência e nós temos que ter um processo de construção equilibrado. Por isso, quisemos fazer este ciclo de conferências que conjuga estas duas realidades: por um lado, sinalizar aquilo que de bom foi feito no território; e, por outro lado, contar com uma das instituições mais carismáticas que nós temos no nosso país, a Casa da Arquitetura, que faz a ligação com quem ajuda a construir o território”, acrescentou, ao vincar a disponibilidade do Governo para ouvir e a determinação em “simplificar e reformar”, dando o exemplo da revisão do Código de Contratação Pública e do visto prévio do Tribunal de Contas.
“Com este ciclo de conferências queremos colocar todos os agentes que trabalham no território a conversarem entre si para perceberem quais são os desafios que têm e como lhes podemos responder”, apontou, ao aludir à comemoração dos 50 anos das primeiras eleições autárquicas após o 25 de abril de 1974.
Confessando ser um “fã incondicional, do magnífico Centro Histórico de Guimarães”, o governante reconheceu que “nestes 50 anos de poder local, os municípios têm sido parceiros estratégicos da transformação do País e nós queremos que continuem a ser. Por isso, o Governo sabe que é fundamental que as autarquias tenham os instrumentos necessários para responder às necessidades dos territórios”, continuou, ao classificar como urgente a revisão da Lei das Finanças Locais.
Ricardo Araújo: “Não queremos uma Capital Verde das élites políticas e académicas, queremos uma CVE dos cidadãos”
Na sua intervenção, o Presidente da Câmara de Guimarães realçou a importância do legado duradouro que a Capital Verde Europeia quer deixar, transformando o território e contribuindo para a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos. “Quando falamos de sustentabilidade urbana temos a tentação frequente de resumir a discussão a metas e indicadores. Como é que melhoramos a qualidade de vida dos cidadãos, daqueles que aqui trabalham, estudam e visitam? No fim desta equação de sustentabilidade urbana, tudo deve apontar para mais e melhor qualidade de vida para os nossos cidadãos”, frisou, ao sublinhar que “a sustentabilidade só cumpre verdadeiramente a sua missão quando se traduz em qualidade de vida, em melhor qualidade da água e do ar, em menos exposição ao calor extremo, em melhor e mais eficiente mobilidade, mais contacto com a natureza, com os espaços públicos pensados para o encontro e convivência dos cidadãos, em cidades mais saudáveis, mais inclusivas e mais desenvolvidas”, prosseguiu. “Queremos um concelho sustentável, amigo do ambiente, mas temos de conseguir conjugar com o desenvolvimento económico. A relação entre o público e o privado tem de ser de cooperação e articulação”, afirmou, ao lembrar o “caminho” percorrido ao longo das últimas décadas de despoluição das linhas de água que atravessam o concelho. “O desafio que temos é como transformamos o debate entre a defesa do ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento económico numa oportunidade de caminhar conjuntamente. Não queremos uma Capital Verde das élites políticas e académicas, queremos uma CVE dos cidadãos”, insistiu, ao enaltecer esse “legado que ficará para além de 2026”, em conjugação com investimentos como o Centro Interpretativo da Montanha da Penha, o projecto ligado à música no Parque da Cidade, a reflorestação em vários pontos do concelho, a requalificação das zonas ribeirinhas, as ecovias e os novos parques florestais. “Este ciclo começa numa cidade que tem uma relação muito própria com o tempo, com a história, em 2028 vamos celebrar os 900 anos da Batalha de São Mamede. Guimarães é uma cidade que sabe de onde vem, mas que sabe para onde quer ir”, observou.
O Director da Casa da Arquitectura elogiou o exemplo do desempenho ambiental e a estratégia para a sustentabilidade urbana de Guimarães, ao justificar que “o programa de conferências deste ciclo serve de antevisão de uma exposição que terá o nome ‘Plataforma da Cidade’, a inaugurar a 20 de novembro”. “Este ciclo de conferências é um programa de valorização do poder político democrático e inscreve-se no programa de comemorações dos 50 anos do poder local, assinalando meio século das primeiras eleições autárquicas realizadas no dia 12 de dezembro de 1976”, referiu Nuno Sampaio, ao destacar a importância do poder autárquico “na qualificação do território e na garantia da construção de uma vida melhor para os habitantes”.
Está programada a realização de sete conferências, em sete cidades, estruturadas em quatro grandes temas: “Cidade – Estrutura Ecológica”, “Cidade – Infraestrutura”, “Cidade – Trabalho” e “Cidade – Habitação”, que se seguirão a debates com a reflexão sobre o território.
“Começar em Guimarães é o reconhecimento da distinção que a Comissão Europeia fez à cidade pelo seu desempenho ambiental e da sua sólida estratégia para a sustentabilidade urbana. Guimarães é para orgulho de todos nós, um exemplo para o País e para toda a Europa”, disse, ao indicar como “fundamental conhecer a forma como se traduzem as acções concretas e duradouras para o território e para a qualidade de vida dos cidadãos, mas também questionar o legado do projecto para o futuro, a capacidade de mobilizar os diferentes actores, na maneira como conseguiremos transformar o que aqui se debate em exemplo para o restante País”.
Nesta primeira sessão, realizou-se mesa-redonda subordinada ao tema “Infraestrutura verde como motor de saúde e qualidade de vida”, com a participação de especialistas das áreas da arquitetura, ambiente, saúde e design, sendo antecedida pela apresentação do projecto «Guimarães 2026 – Capital Verde Europeia» por Carlos Ribeiro.
Publicado em: 21/05/2026