O executivo municipal de Guimarães aprovou por maioria, na reunião de Câmara desta segunda-feira, as propostas de não adjudicação das obras de Requalificação da Avenida D. João IV, do Pavilhão da Escola EB 2,3 João de Meira e da Requalificação e ampliação da Escola Básica e Secundária Santos Simões, em Mesão Frio, procedimentos iniciados pelo executivo anterior. Os vereadores socialistas votaram contra.
O tema gerou um intenso debate político entre o Partido Socialista e o actual presidente da Câmara, Ricardo Araújo, com acusações de incoerência política, falta de confiança institucional e divergências quanto às prioridades e à gestão dos recursos públicos.
O vereador socialista Ricardo Costa criticou a decisão de não adjudicar as três obras, sublinhando que o actual presidente da Câmara votou favoravelmente, enquanto vereador, a todos os concursos agora cancelados. Segundo o eleito do PS, a decisão representa “parar com tudo aquilo que, ao longo do último mandato, o actual presidente da Câmara votou a favor”, acusando o actual de executivo de falta de “ambição”..
Ricardo Costa destacou a importância das intervenções no contexto educativo e infraestrutural do concelho, lembrando que a educação foi assumida como um dos pilares centrais das candidaturas políticas, quer do PS, quer do actual presidente. Para o Vereador, a não adjudicação coloca em causa a “confiança” dos agentes económicos e institucionais, uma vez que os concursos públicos foram abertos com pareceres técnicos e cabimentação financeira assegurada.
O PS anunciou o voto contra as não adjudicações, considerando que o cancelamento destas obras “mina a credibilidade” da autarquia e que o presidente da Câmara deveria ter manifestado a sua oposição no momento da abertura dos concursos, se discordava das intervenções.
Em resposta, o presidente da Câmara de Guimarães, Ricardo Araújo, rejeitou as críticas e afirmou que as não adjudicações resultam precisamente do facto de a educação ser uma “prioridade” do actual executivo. Segundo o Autarca, o objectivo é “cumprir e não apenas anunciar”.
Relativamente ao Pavilhão da Escola João de Meira, Ricardo Araújo explicou que o projecto previa a construção de dois pavilhões, num investimento de cerca de cinco milhões de euros, incluindo um edifício que enfrentava constrangimentos ao nível do Plano Director Municipal. O executivo opta agora por cancelar o procedimento e lançar um novo concurso para a construção de apenas um pavilhão, considerado suficiente para responder às necessidades imediatas da comunidade escolar, garantindo a sua concretização até ao final do mandato.
No caso da Escola Básica e Secundária Santos Simões, o presidente esclareceu que a candidatura apresentada ao PRR em 2024 foi rejeitada em Agosto de 2025, pelo que o procedimento em curso assentava num pressuposto de financiamento que não se concretizou. O Município está a preparar uma nova candidatura a fundos europeus, cujo prazo termina em Junho de 2026, prevendo-se a reformulação do projecto, incluindo alterações ao pavilhão desportivo para garantir dimensões regulamentares.
Quanto à Avenida D. João IV, Ricardo Araújo afirmou que a intervenção deixou de ser prioritária face a novos dados técnicos sobre mobilidade – com parecer negativos -, à redução do financiamento comunitário disponível e à necessidade de concentrar recursos noutras áreas consideradas mais urgentes.
Publicado em: 26/01/2026