Guimarães prepara-se para o início oficial do programa Guimarães 26 – Capital Verde Europeia. Esta sexta-feira, 9 de janeiro, o evento «Raízes do Futuro», à noite, no Multiusos, e uma conferência internacional dedicado à liderança política para a sustentabilidade, durante a manhã, no Teatro Jordão, vão marcar o arranque oficial de uma programação que coloca sobre Guimarães o foco principal do debate europeu sobre sustentabilidade e acção climática.
O Presidente da Câmara, Ricardo Araújo, será o anfitrião das iniciativas que contarão com a presença da Ministra do Ambiente, Maria da Graça Carvalho e vários responsáveis da Comissão Europeia, lançando os pilares do compromisso assumido pelo Município com a transição verde, a neutralidade climática e a sustentabilidade como projecto colectivo europeu.
Durante a manhã, no Teatro Jordão, a partir das 10h00, decorrerá a cerimónia de Compromisso Político, constituindo uma sessão institucional que reúne decisores políticos nacionais e europeus para reforçar o papel das cidades na liderança da transição verde. Estão previstas intervenções de Ricardo Araújo, Presidente da Câmara Municipal e Patrick Child, Director-Geral Adjunto da DG Environment da Comissão Europeia, a exibição de uma mensagem vídeo de Jessika Roswall, Comissária Europeia do Ambiente, uma sessão dirigia a decisores políticos e do papel da governança para a transição verde, bem como a apresentação e assinatura da Declaração de Guimarães – Um Compromisso Local por uma Europa Mais Verde. “Uma declaração onde se pretende que os líderes dos diferentes municípios portugueses e internacionais possam subscrever reafirmando o que são para Guimarães o que são os pilares que constituíram esta jornada climática, nomeadamente a educação, a ciência, o envolvimento do sector privado fundamental para a neutralidade climática e o desporto e a cultura na sua ligação com a sustentabilidade.
“Os líderes políticos que quiserem subscrever a declaração poderão fazê-lo e que será apresentada em vários momentos ao longo do ano, durante o qual serão recolhidas as boas práticas que são feitas por outras cidades no âmbito dos pilares desta declaração de Guimarães e construir um livro que permitirá que outras cidades sigam o exemplo de Guimarães”, explicou Isabel Loureiro, da Direcção Executiva da organização, em entrevista divulgada no programa Largo do Toural, da Rádio Santiago.
Após esta iniciativa, realiza-se uma conferência de imprensa e a cerimónia de assinatura do acordo de aconselhamento para apoio ao Plano de Mobilidade Urbana Sustentável (SUMP) e ao projecto BRT – Neutralidade Carbónica até 2030. Gilles Badot, Director de Operações para o Sector Público da União Europeia, Banco Europeu de Investimento, Ricardo Araújo, Presidente da Câmara, e Patrick Child, da Comissão Europeia participarão na formalização desse acordo, sendo a sessão de encerramento confiada a Maria da Graça Carvalho, Ministra do Ambiente e Presidente da Comissão de Honra de Guimarães 26 – Capital Verde Europeia.
No Multiusos de Guimarães, a partir das 21h00, a cerimónia oficial de abertura contempla um momento artístico intitulado “Raízes do Futuro”, com a participação de Gisela João e Sofia Escobar, contando também com a actuação da A Outra Voz, Cercigui, Coro En´canto, Grupo Coral de Ponte, TeatrAcord’Ensemble, ficando a apresentação a cargo de Catarina Furtado e Vasco Palmeirim. A organização adianta que será “um espectáculo colectivo que parte da memória para pensar no amanhã, colocando a natureza no centro da criação artística”. Terá uma forte dimensão comunitária, com a participação de mais de 150 pessoas, afirmando a sustentabilidade como prática cultural, social e humana, no início de um ano de celebração, reflexão e ação em torno da sustentabilidade, posicionando Guimarães no centro do debate europeu sobre o futuro das cidades.
Transformar hábitos,
comportamentos e o território
Durante a entrevista ao Grupo Santiago, Isabel Loureiro, da Direcção Executiva da organização, realçou que a Unidade de Missão de Guimarães 26 – Capital Verde Europeia procurou “organizar um programa para abranger vários públicos alvo ao longo do ano”, destacando que o projecto iniciado há mais de uma dezena de anos está alicerçado “numa equipa”. “Temos aprendido muito com este processo que dura há mais de 10 anos, no sentido de aprofundar o conhecimento para conseguir apoiar a estratégia municipal com a implementação de medidas mais infraestruturais e um conjunto de outras acções que visam valorizar o capital humano, colocando todas pessoas no centro da actuação climática”, observou, ao referir que o diagnóstico ambiental efectuado em 2014 apontou a falta de literacia climática nos cidadãos. “Sabíamos que existia o problema das alterações climáticas, mas à data de 2014, este problema parecia mais global do que local. Foi preciso desconstruir esta ideia até chegarmos ao ponto de mostrarmos aos cidadãos que eles têm uma palavra a dizer e o seu envolvimento na mudança de hábitos e comportamentos poderá ser crucial para tornar o território mais resiliente. Há até uma palavra que se sobrepõe às adaptações climáticas na Comissão Europeia que é a resiliência climática. A forma como transformarmos o território e como transformamos os cidadãos e como preparamos as equipas multidisciplinares em resposta aos desafios climáticos que cada vez são mais frequentes e mais intensos”, reconheceu Isabel Loureiro, indicando que essa aprendizagem continuará no futuro.
O propósito do programa da Capital Verde Europeia assenta em cinco pilares: da governança, da comunidade, da ciência, da inovação e do território. “A Unidade de Missão procurou desenhar um programa onde a comunidade pudesse participar, envolver-se e propor”, contextualizou Isabel Loureiro, ao revelar que as instituições e os vimaranenses fizeram chegar à organização cerca de 200 propostas para integrar o programação da Capital Verde Europeia, obtida por Guimarães graças aos indicadores ambientais atingidos e ao compromisso firme e o consenso político alargado na adopção de práticas para um futuro sustentável.
A directora executiva assinalou a evolução registada em Guimarães ao longo da última década, na qualidade da água dos rios, na gestão dos resíduos, na recolha de dados da natureza e conhecimento da biodiversidade do território, num processo em que os cidadãos foram parte activa. Embora a agenda ainda esteja em construção, Guimarães vai receber este ano o Fórum Anual da Energy Cities (abril), o European Urban Resilient Forum (junho), o fórum ambiental Eurocities (Novembro), assim como a iniciativa de sensibilização ambiental Green Week (Junho). Durante o ano, o território sofrerá transformações com o alargamento dos percursos pedonais pelos cursos de água que atravessam o Concelho, prevendo-se 1 quilómetros de ecovias até 2027.
Publicado em: 08/01/2026