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Estudo Económico: O Ponto De Partida Para Uma Nova Estratégia Em Guimarães

Bolama
Decatlon

No dia 16 de setembro, Ricardo Araújo assumiu a mudança na política económica de Guimarães. O estudo “A Economia de Guimarães: percurso, estado e destino”,

apresentado na conferência com o Expresso e a SIC Notícias, foi apresentado como a base estratégica para as decisões do Município nesta área. Uma base com um diagnóstico sólido, e acompanhada por uma proposta de caminho e estrutura que a execute. É partir deste estudo que se passam a escolher prioridades, concentrar recursos e avaliar resultados.

Decatlon

O Presidente da Câmara explicou a mudança sem rodeios: “Durante demasiado tempo, a política económica local foi um somatório de iniciativas: um apoio aqui, um evento ali, um protocolo acolá. Cada uma dessas iniciativas com mérito próprio. Mas nenhuma com estratégia.”

A frase merece atenção. Reconhece que houve iniciativas com valor. Mas sinaliza também que lhes faltou uma orientação capaz de ligar o que se fazia aos problemas que era preciso resolver. Guimarães foi acumulando ativos, como empresas, conhecimento e infraestruturas, sem conseguir articular plenamente esses recursos, nem tirar deles o proveito devido para transformar toda essa capacidade em maior criação de valor e, por consequência, melhores rendimentos para os trabalhadores. E uma política económica tem de ser julgada pelos resultados.

Os números apresentados mostram a dimensão do desafio. Quase 43% do emprego do concelho está na indústria transformadora, face a 16% a nível nacional. Exportamos perto de 1,5 mil milhões de euros por ano. Mas a produtividade continua nos 92% da média nacional, sem convergir na última década. E isso encontra reflexo no ganho médio dos trabalhadores Vimaranenses, que está em 82% da média nacional, abaixo de concelhos vizinhos e da região.

Temos força industrial. O desafio é conseguir que essa força se traduza em maior prosperidade.

Esta distância tem consequências muito concretas. Limita o rendimento das famílias e dificulta a fixação de quem se qualifica. Um mestre ganha em Guimarães, em média, 72% do que ganha no país. Formamos pessoas de que as empresas precisam para se modernizarem, mas oferecemos-lhes menos razões para ficar. Depois, a falta dessas competências torna a modernização ainda mais difícil.

Enfrentamos ainda um “paradoxo do conhecimento”, como Ricardo Araújo lhe chamou. Em Guimarães, investe-se em investigação e desenvolvimento acima da média nacional; temos 10 investigadores por mil habitantes, quando o país tem 6. Mas quanto se olha para o investimento das empresas em I&D, verifica se que está abaixo da média nacional e da região Norte.
Portanto, o conhecimento que aqui é produzido ainda se transforma pouco em produtos, patentes, empresas e melhores salários.

Temos uma base económica forte, mas numa posição frágil nas cadeias de valor. Isso significa menor capacidade para pagar melhor e para transformar o conhecimento disponível em riqueza. É este ciclo que precisa de ser quebrado.

O estudo, elaborado por Francisco Carballo-Cruz e João Cerejeira, aponta um caminho que parte da economia que temos, em vez de a negar.

A indústria com tradição é uma força sobre a qual podemos construir. Tem experiência e conhecimento acumulado, trabalhadores qualificados e relações comerciais que demoraram décadas a conquistar. O desafio é acrescentar-lhe capacidade para desenvolver produtos, incorporar tecnologia e chegar a mercados onde essas competências sejam mais valorizadas.
Por exemplo, uma empresa que produz para outras marcas pode estar cheia de encomendas e, ainda assim, reter uma fatia reduzida do valor final gerado.

Desenvolver um produto próprio, dominar um processo técnico exigente ou conquistar uma certificação que poucos conseguem pode alterar essa posição.

Estes são caminhos para que esta empresa possa subir na cadeia de valor. E é por essa via que se criam condições para pagar melhor. É também esse caminho que pode permitir a esta empresa entrar em novos mercados de maior valor acrescentado, como a defesa e o uso dual, ou o abastecimento da indústria aeroespacial.

Guimarães tem conhecimento para apoiar este percurso. Tem Universidades, centros de investigação e infraestruturas tecnológicas. Mas a proximidade geográfica, por si só, não chega. Uma empresa e um centro de investigação podem estar separados por poucos quilómetros e nunca trabalhar juntos. É preciso identificar pontos de convergência, problemas concretos, alinhar objetivos e acompanhar os projetos até que produzam resultados.

Aqui, o Município tem uma função a cumprir. Aproximar quem tem um problema e precisa de uma solução, de quem a possa desenvolver. Remover obstáculos ao investimento. Preparar condições para acolher empresas e apoiar a transformação das que cá estão.

O estudo apresentado foi o ponto de começo de um trabalho exigente.

Há aqui uma sequência importante. O diagnóstico feito fundamenta as escolhas. As escolhas orientam os recursos. E a execução permite perceber o que funciona, corrigir o que falha e ampliar aquilo que dá resultado. O percurso está identificado, e o trabalho em marcha.

E desse compromisso já resultaram ações concretas. Estão em curso novos projetos, como o CREATE Guimarães, que aproxima os centros de interface de conhecimento das empresas. Há também a aposta no aeroespacial, com a Fábrica do Arquinho na vertente de produção de conhecimento e a Fábrica do Alto na vertente de produção económica e empresarial. Projetos que foram esta semana apresentados à CCDR-N, no “Roteiro pela Inovação” que trouxe o seu Conselho Diretivo a visitar Guimarães.

O dia 16 de setembro marca, por isso, uma mudança de orientação e, sobretudo, um compromisso público com a sua execução.

Guimarães tem empresas, conhecimento e capacidade de trabalho. O papel recomendado pelo estudo e subscrito por Ricardo Araújo para o Município é claro: servir como orquestrador e catalisador, para ajudar a criar as condições para que essa força produza mais valor.

Mais valor nas empresas. Mais capacidade para competir. Mais oportunidades para quem se qualifica. Melhores rendimentos para quem trabalha.

Porque, no fim da linha, uma estratégia económica só cumpre o seu papel quando o crescimento deixa de ser apenas um número e encontra reflexo na vida das pessoas.

É essa a medida do compromisso assumido, o de fazer da força que Guimarães já tem, a base sobre qual se constrói um futuro melhor para todos os que aqui vivem, estudam e trabalham.

Publicado em: 22/09/2026

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