Uma equipa do Centro de Biologia Molecular e Ambiental (CBMA) da Universidade do Minho descobriu como um fungo se alimenta quando o intestino está fragilizado, o que pode abrir portas para o bloquear e reduzir as infecções.
O estudo foi publicado na revista «mBio», da Sociedade Americana de Microbiologia, e tem a co-autoria de cientistas das universidades Católica de Lovaina (Bélgica) e de Exeter (Inglaterra). O trabalho foi coordenado por Sandra Paiva e financiado pelo projecto MetaFungal (Fundação para a Ciência e a Tecnologia).
Após o tratamento com antibióticos, muitas bactérias presentes no intestino são eliminadas ou significativamente reduzidas. Mas o fungo Candida albicans, que vive no nosso corpo, possui 10 genes ATO que lhe dão vantagem para a sobrevivência e expansão nesse ambiente desafiante. Ou seja, estes genes ATO permitem ao fungo utilizar um nutriente chamado acetato, muito abundante no intestino, conferindo-lhe vantagem para se multiplicar, colonizar este ambiente e, em alguns casos, causar infeções graves.
A pesquisa analisou o trato gastrointestinal (intestino delgado, ceco, cólon) e as fezes de ratinhos tratados com antibióticos. Porém, os investigadores admitem que controlar o Candida no intestino possa vir a ajudar pessoas que ingerem muitos antibióticos, mas também que têm doenças inflamatórias, têm cancro, são imunodeprimidas ou possuem idade avançada, por exemplo.
As infeções por Candida mais frequentes surgem no sistema digestivo, no sistema respiratório, nos genitais e nas dobras da pele. Em pacientes com imunidade baixa, este fungo pode entrar na corrente sanguínea, infetando órgãos internos e provocando candidíase invasiva, que afeta cerca de 1.5 milhões de doentes por ano, sendo que perto de um milhão (63%) acaba por morrer.
Publicado em: 03/09/2025