O “Elogio da Insanidade”, a mais recente obra da autoria do vimaranense Ricardo Guimarães foi apresentada este sábado, no âmbito da 10ª edição do Húmus – Festival Literário de Guimarães.
“Este livro mantém com uma mão cada vez mais segura para a escrita, seguindo as temáticas das obras anteriores”, observou Carlos Poças Falcão, durante a apresentação, realizada no Centro Cultural de Vila Flor.
“É uma poesia de contenção, com sobriedade de recursos estilísticos. Deixa um grande lugar, de desejada e intencionada ambiguidade que leva o leitor a reflectir, a parar”, continuou, ao observar: “a impressão que dá ao leitor é de que está perante uma poesia seca, dura, austera, mas que se adequa ao tema predominante dos seus livros – um inconformismo, perante o descalabro da insanidade. É uma poesia que procura ser impactante, dando espaço ao silêncio”.
O poeta Carlos Poças Falcão indicou que o livro oferece um “olhar sobre este mundo insano, um olhar lúcido servido por uma voz, corresponde ao ethos do poeta”. “Um resgate último do humano perante o descalabro que nos rodeia. Olhar lúcido, que resgata a razão. É um olhar diferente, mas que não dá lugar ao sentimentalismo. O horizonte é o do humanismo, com uma poesia imanente!”, afirmou.
O autor Ricardo Guimarães agradeceu a apresentação de Carlos Poças Falcão, dizendo: “é um dos poetas da minha vida, um mestre, um poeta de resistência moral!”
“Num tempo em que a boa educação, o respeito pela dignidade humana e pela palavra parecem cair em desuso, continuo a escrever”, frisou, acrescentando: “não escrevo por opção, por entretenimento, nem tão pouco por profissão. Escrevo por necessidade. Por uma necessidade vital de comunicar com o outro. O que me lê, mas sobretudo como testemunho, para o que não me lê, nem me quer ler”.
“A principal certeza que tenho é que a paz é o principal bem comum que uma sociedade tem de realizar. A paz é sempre uma solução melhor do que a guerra. Talvez resida aqui a génese deste livro numa linguagem poética de resistência perante a náusea que me causa a insanidade do mundo. Sem nunca perder a esperança”, vincou durante a apresentação.
Publicado em: 07/03/2026