O candidato às eleições do Vitória pela Lista D, Rui Rodrigues, apresentou a sua candidatura aos sócios numa cerimónia que teve lugar no Instituto de Design, na noite desta sexta-feira.
“Acreditamos profundamente no potencial do Vitória Sport Clube. Acreditamos num clube mais forte desportivamente, mais sólido financeiramente, mais moderno na sua organização e, acima de tudo, mais unido, próximo e humano. Um clube onde cada sócio, adepto, atleta, colaborador e família Vitoriana sinta que faz parte de algo maior”, começou por afirmar, elencando depois os principais pontos do programa eleitoral: a situação financeira do clube e o futuro do futebol profissional.
No entender de Rui Rodrigues, o Vitória deve “crescer com ambição e visão – mas nunca à margem do equilíbrio que garante o seu futuro. A sustentabilidade financeira não é um travão ao crescimento: é a sua condição essencial. É ela que permite ao clube competir com independência e decidir com autoridade, sem hipotecar o futuro.” “O nosso compromisso é claro: cada decisão relevante resultará de um equilíbrio permanente entre ambição desportiva e responsabilidade financeira, sustentado por uma cultura de excelência transversal a todos os departamentos”, acrescentou.
Um dos desafios estruturais imediatos, assumiu é a “reestruturação do passivo de curto prazo da SAD. A pressão da dívida corrente sobre a tesouraria limita o investimento, condiciona decisões desportivas e fragiliza a posição negocial do Vitória perante parceiros e credores.” E o plano tem três bases: “Controlo rigoroso de todos os compromissos financeiros; negociação e renegociação da dívida, convertendo obrigações de curto prazo em instrumentos de médio e longo prazo e disciplina orçamental permanente, com controlo de tesouraria em tempo real e reporte mensal à administração. O objetivo é transformar a estrutura financeira do clube para que nunca mais esteja refém das urgências do curto prazo.”
De acordo com Rui Rodrigues, o Vitória “tem na V Sports um parceiro estratégico de referência”, mas sua candidatura pretende “ir mais longe. Acreditamos que esta relação tem potencial para ser mais profunda, mais ativa e mais determinante no projeto que estamos a construir. Queremos uma V Sports mais participativa – não apenas como mero parceiro, mas como verdadeiro parceiro estratégico na ambição do Vitória. Uma parceria que se traduza em envolvimento real nas decisões estratégicas, em sinergias concretas, e num compromisso partilhado com os objetivos desportivos do clube. A conjugação de esforços entre o Vitória e a V Sports deve ser cada vez mais uma força multiplicadora – onde ambas as partes ganham, onde o clube cresce e onde a marca Vitória se valoriza. É esse o espírito que queremos reforçar e consolidar neste mandato.”
A seguir, revelou que o sonho de uma nova Academia “está mais próximo de se tornar realidade”, uma vez que o município “irá prever no próximo orçamento uma dotação específica para a expropriação dos terrenos necessários, que serão cedidos ao Vitória para a concretização deste projeto. É um passo histórico, que reconhece a importância do clube para a cidade e para a região, e que abre finalmente a porta a uma infraestrutura que transformará a formação vitoriana. E queremos que a V Sports faça parte desta história. Acreditamos que este é o momento certo para aprofundar a parceria e convidar a V Sports a participar ativamente na realização da Academia – contribuindo para um projeto que será, para gerações de jogadores e adeptos, o símbolo mais concreto do Vitória que queremos construir.”
No seu discurso, focou-se, depois, no futebol profissional. “Queremos um Vitória que não reaja às circunstâncias, mas que as antecipe. A inteligência no futebol exige também uma ideia clara de jogo, reconhecível em todos os escalões. Queremos um modelo que aproxime a formação da equipa principal, para que os jogadores formados no clube cheguem ao profissionalismo mais preparados e mais identificados com os princípios do Vitória. Uma estrutura técnica estável e alinhada é condição essencial. Equipa técnica, direção desportiva, scouting, formação, performance e gestão financeira devem operar de forma integrada, com objetivos comuns e uma visão partilhada sobre o que queremos ser dentro de campo. Garantimos que a ambição desportiva e a responsabilidade financeira caminham juntas – sem que uma comprometa a outra. A Equipa B é, e continuará a ser uma plataforma de transição competitiva real – não uma zona de espera, mas o último degrau, de proximidade efetiva antes da chegada à equipa principal. Cada jogador contratado ou formado deve ser encarado como um ativo estratégico do clube, contribuindo para o crescimento desportivo e financeiro do Vitória. O objetivo é claro: competir pela excelência e afirmar presença regular nas competições europeias. Não como exceção, mas como ambição recorrente, sustentada por organização, qualidade e rendimento consistente. Queremos um Vitória que compita melhor, decida melhor, forme melhor — e ganhe mais vezes. Um futebol profissional à altura da grandeza do clube e da exigência dos seus adeptos.”
No final, aos jornalistas, abordou vários temas.
Questionado sobre de mantém a aposta em Gil Lameiras como treinador da equipa principal na próxima época, se fora eleito, foi evasivo. “O Gil Lameiras é treinador de Vitória, se vencer as eleições teremos que falar com ele e não me quero alongar mais.”
Sobre os números do passivo do Vitória, deixou uma certeza: “A única coisa que posso dizer é que ainda me encontro em funções, a minha responsabilidade para com a Vitória irá manter-se até o dia 13 de junho. Definimos uma estratégia desportiva e financeira que começou no dia 1 de julho e termina no dia 30 de junho. Houve uma pressão muito grande a partir de março sobre o estado das contas de Vitória. Eu não posso responder pelas outras pessoas. Os números que se falam por aí, não são, de todo, reais. Já temos previsões daquilo que será o fecho do resultado, sem contar com nenhuma venda. A única coisa que posso confirmar é que, efetivamente, não se coaduna com os valores que são falados, nem longe nem de perto. Esqueçam os 3 dígitos, esqueçam os 90 milhões, esqueçam os 80 milhões.”
Publicado em: 22/05/2026