De Guimarães para o Uzbequistão. Portugal defronta hoje o Uzbequistão na fase de grupos do Campeonato do Mundo e, a milhares de quilómetros de distância, haverá um vimaranense a viver o encontro de forma muito especial.
David Gonçalves nasceu em Guimarães, mas reside no Uzbequistão há mais de duas décadas. Apesar da distância, garante que nunca deixou de sentir o país e a cidade onde nasceu como a sua verdadeira casa. E se hoje há coração dividido entre os dois países? A resposta surge sem hesitações.
“Portugal, claro. Não ia trocar a minha cidade nem o meu país por nenhum outro.”
David chegou ao Uzbequistão em 2000, numa altura em que trabalhava ligado ao sector dos desperdícios de algodão. Enquanto muitos empresários portugueses procuravam oportunidades em mercados como Angola ou Moçambique, decidiu apostar numa antiga república soviética conhecida precisamente pela forte produção de algodão. “Vim por questões profissonais e acabei por ficar”, contou.
Quando chegou, encontrou um país muito diferente daquele que existe actualmente. “Isto era tudo muito antigo, prédios velhos, carros velhos, muito marcado ainda pelo tempo da União Soviética. Hoje está completamente diferente. Há carros modernos, eléctricos, novas construções e um grande desenvolvimento.”
Durante vários anos foi apontado como o único português a viver no Uzbequistão. Actualmente já não é assim. Em Janeiro chegou um professor universitário português e os dois já partilharam até momentos de convívio, incluindo a visualização do primeiro jogo da Seleção Nacional frente ao Congo que não conseguiu mais do que um empate a uma bola com um golo de João Neves.
Aliás, o encontro entre Portugal e Uzbequistão será acompanhado pelos dois num restaurante local, onde esperam assistir a uma vitória da equipa das quinas. Apesar de reconhecer o entusiasmo que existe entre os uzbeques por se estrearem numa grande competição internacional, David acredita num triunfo confortável de Portugal. “Espero pelo menos um 4-0”, disse entusiasmado.
Entre os possíveis marcadores, destaca naturalmente Cristiano Ronaldo. “Sou fã do Ronaldo. Acho que tem de marcar pelo menos um ou dois golos.” Mas também deixa elogios a Rafael Leão, jogador que aprecia pela irreverência e pela alegria que transmite dentro de campo.
No Uzbequistão, garante, o ambiente é de enorme entusiasmo. A participação da Seleção Nacional está a mobilizar milhares de adeptos, sobretudo os mais jovens, que exibem camisolas dos seus ídolos e sonham com uma surpresa frente a Portugal. Contudo, por muito tempo que passe e por muito longe que esteja, há algo que nunca mudará. “Nasci vimaranense e vou morrer vimaranense.”
As saudades da terra, da gastronomia e das memórias de infância continuam presentes. E há até uma promessa que pode alegrar familiares e amigos: David admite regressar a Portugal ainda este ano, não descartando mesmo a possibilidade de ficar definitivamente.
Até lá, continuará a acompanhar Guimarães à distância, a torcer por Portugal e a levar consigo, no coração, a cidade onde tudo começou.
Publicado em: 23/06/2026