Os comerciantes aguardam com expectativa a execução do projecto que envolve a instalação de painéis fotovoltaicos no recinto da feira semanal para a criação de uma comunidade de energia renovável.
Esta manhã, durante a última feira deste mês de agosto, o regresso provisório para o Campo de São Mamede dominava as conversas entre clientes e comerciantes, já que no próximo dia 4 de setembro será já esse o espaço de acolhimento da feira retalhista.
Em declarações ao Grupo Santiago, a representante da Associação de Feiras e Mercados da Região Norte, adiantou que os comerciantes estão apreensivos com a estrutura que será criada, esperando que o projecto possa sofrer algum ajustamento durante a execução da obra.
“O projecto já está a ser desenvolvido há muito tempo. Ouvimos falar das intenções do Município, mas os comerciantes tiveram conhecimento do que pretendiam fazer durante uma reunião já com o projecto aprovado”, assinalou Cacilda Silva, reconhecendo que “a feira retalhista de Guimarães será pioneira com uma obra desta dimensão”.
Apesar de reconhecer a importância do investimento na sustentabilidade que permitirá a rentabilização energética do espaço, a dirigente associativa teme que a estrutura que será montada para a cobertura do espaço com painéis solares não seja “funcional” e adaptada à logística dos feirantes. “Estamos a tentar que possam ser introduzidas algumas alterações no projecto, porque está prevista a instalação de uma estrutura com um formato em V, em que a parte de trás, tem uma altura 2,90 m e há feirantes com viaturas com mais de três metros de altura”, apontou, acrescentando: “para estacionarmos uma carrinha com sete metros, num lugar de sete metros, com estruturas feitas, não vai ser muito funcional”,
Apesar da apreensão, Cacilda Silva mostrou-se favorável à adopção de soluções capazes de rentabilizar um espaço em benefício do ambiente. “Aguardamos com muita expectativa. Até disse que não me importo de colocar um capacete na cabeça para acompanhar as obras porque acho que a solução não vai ser funcional para o nosso trabalho”, indicou Cacilda Silva, ao vincar que ser feirante é uma profissão que exige dedicação e entrega. “Na qualidade de dirigente da Associação tenho de zelar pelos interesses dos cerca de 40 sócios que trabalham na feira semanal de Guimarães”, frisou, insistindo que os comerciantes estão apreensivos, apesar do projecto ser “pioneiro, porque será primeira feira do país a ter o recinto coberto com painéis solares”.
Na próxima semana, a representante dos comerciantes vai regressar ao Campo de São Mamede, um local que vai estranhar mas que já conhece. “Já trabalhei naquele sítio e acredite: não é fácil. No verão, há muito pó e temos de andar de regador; no inverno, é muita lama. É um espaço provisório e as obras têm de ser feitas! A feira está aqui mais central, perto da central de camionagem e do mercado”, comentou, ao assinalar que o Município comprometeu-se a disponibilizar um serviço de transporte gratuito de 20 em 20 minutos.
“Por incrível que pareça, os feirantes adaptam-se às mudanças. É fácil modificar a “casa” rapidamente, mas também não podemos andar sempre a mudar porque isto é muito mau para o negócio”, salientou, ao revelar que a actividade dos feirantes exige muito trabalho. “O mês de agosto não está a correr como nos outros anos. Os nossos emigrantes vêm com menos capacidade de compra e nesta última semana o tempo também não ajudou”, lamentou.
Comunidade de energia
para servir edifícios municipais
Durante o período de obras, com previsão estimada de quatro meses, o recinto habitual da feira semanal será requalificado com a implementação de uma central fotovoltaica de cerca de 1 MW, suportada por estruturas de cobertura multifuncionais que melhoram as condições de utilização do espaço. Também no decorrer das obras, o estacionamento de viaturas não será permitido.
Para assegurar uma maior integração arquitetónica e paisagística e manter a harmonia com a envolvente urbana e patrimonial de Guimarães, os módulos fotovoltaicos foram selecionados em tonalidade terracota, reduzindo o impacto visual da infraestrutura.
A energia produzida será integrada numa solução de autoconsumo coletivo no âmbito da Comunidade de Energia Renovável, contribuindo para a descarbonização dos consumos energéticos em 42 edifícios municipais. A mudança temporária para o Campo de São Mamede assegura a continuidade da Feira enquanto o seu espaço habitual se prepara para um futuro mais sustentável. Concluídas as obras, a Feira Retalhista regressará ao Parque da Feira Semanal.
Publicado em: 28/08/2026