A Carta Educativa de Guimarães, elaborada em 2006, está desactualizada e já não responde plenamente à realidade actual do concelho e aos desafios que se colocam às escolas. O reconhecimento foi feito esta quinta-feira pela vereadora da Educação, Isabel Ferreira, durante a apresentação do Plano Municipal das Artes, Cultura e Património nas Escolas de Guimarães, sessão que ficou também marcada pela assinatura de um protocolo de colaboração entre o Município e o Plano Nacional das Artes.
“Encontramos uma carta educativa elaborada em 2006, com duas décadas, que já não responde plenamente à realidade atual do nosso território, das nossas escolas e dos desafios que hoje se colocam”, afirmou Isabel Ferreira, sublinhando que o actual executivo encontrou também vários problemas concretos no quotidiano das escolas.
A Vereadora defendeu a necessidade de avançar para uma nova Carta Educativa, que não se limite à organização da rede escolar ou aos edifícios e equipamentos, mas que represente uma visão mais abrangente para a educação no concelho. “Precisamos de uma Carta Educativa que seja uma visão para a educação em Guimarães”, afirmou, defendendo uma política que articule educação, cultura, ciência, património, cidadania, tecnologia e território.
A sessão serviu igualmente para formalizar a colaboração entre o Município de Guimarães e o Plano Nacional das Artes, depois de um ano de trabalho conjunto. Isabel Ferreira destacou a evolução registada no envolvimento das escolas do concelho, referindo que Guimarães conta atualmente com 19 instituições de ensino integradas no Plano Nacional das Artes, abrangendo a totalidade das escolas do concelho.
O comissário do Plano Nacional das Artes, Paulo Pires do Vale, considerou a assinatura do protocolo um “momento de chegada”, mas também “um novo começo”, defendendo uma ligação cada vez mais estreita entre a educação, a cultura e os territórios.
Para o responsável, as instituições culturais devem ser assumidas como espaços educativos, mas também as escolas devem ser encaradas como centros culturais. “Cada agrupamento de escolas, cada escola é um centro cultural”, afirmou, defendendo uma articulação permanente entre as escolas, os museus, os teatros, os centros culturais e as restantes instituições do território.
Já o presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Ricardo Araújo, aproveitou a sessão para assumir a educação como uma das prioridades do executivo e reconhecer problemas que continuam por resolver, nomeadamente ao nível das actividades de enriquecimento curricular, dos assistentes operacionais e das infraestruturas escolares.
Sobre o parque escolar, o autarca referiu as intervenções em curso ou previstas em estabelecimentos como Pevidém, Santos Simões e D. Afonso Henriques, mas chamou especialmente a atenção para as necessidades existentes nas escolas básicas e do primeiro ciclo.
Ricardo Araújo revelou que o Município realizou um levantamento das necessidades existentes e anunciou que o próximo Orçamento Municipal terá uma dotação específica para iniciar o processo de reabilitação das escolas.
“Vamos, já no próximo Orçamento, estabelecer um valor específico, anual, uma dotação específica, para podermos iniciar esse processo de reconstrução e de reabilitação das nossas escolas”, garantiu o presidente da Câmara, assumindo o compromisso de começar este processo já no próximo ano, de acordo com uma lista de prioridades que está a ser preparada pelos serviços municipais.
Publicado em: 10/09/2026