Numa declaração na sala de imprensa após o jogo com o Arouca, António Miguel Cardoso assumiu que caso o Vitória não obtenha o 5º lugar no final da época, demite-se. Mas a declaração do presidente vitoriano não se ficou por aí. Insistiu também noutra ideia: “Sempre dissemos que o projeto era sustentado no futuro, na Formação. (…) O projeto continua, temos uma equipa técnica a trabalhar em prol do Vitória, com bons processos, a fazer com que estes jovens possam aparecer. É um prazer ver o Miguel e o Gonçalo estrearem-se. Vêm aí muitos mais e nós temos a obrigação de os apoiar e deixar respirar, de deixar respirar a equipa técnica e a administração.”
De algum modo, o dirigente quis, com esta declaração, justificar o facto de muitos jogadores que constituíram a espinha dorsal da equipa nos últimos anos terem saído? Depois de Mikel Villanueva, João Mendes, Bruno Varela, Bruno Gaspar e Borevkovic, a última semana confirmou a saída de mais dois ‘pesos pesados’, Tomás Handel e Tiago Silva. A nação vitoriana, sobretudo através das redes sociais, entrou em polvorosa, direcionando imensas críticas a esta aposta considerada extremamente arriscada. E a verdade é que os resultados de início de temporada têm dado combustível a esse desagrado e desconfiança.
Mas, afinal, a estratégia de António Miguel Cardoso já tinha sido assumida lá atrás e só agora se efetiva de uma forma mais visível porque, entretanto, muitos desses jogadores atrás mencionados terminaram contrato e outros tinham precisamente entrado no último ano de vínculo? Parece que sim.
A 16 de Fevereiro do ano passado, numa entrevista ao programa ‘Ataque à Profundidade’ do Canal 11, António Miguel Cardoso já tinha, de algum modo, avisado que isto iria acontecer, independentemente dos tais riscos desportivos. Na altura, disse que o Vitória devia perseguir “um projeto consolidado para que os jogadores da Formação possam chegar ao Afonso Henriques. Um projeto bem vincado desde que entrámos no clube, que aposta na Formação e em jovens talentos da 2ª Liga e de outras ligas”.
À pergunta, ‘não teme perder jogadores importantes’?, o presidente do Vitória respondeu assim há mais de ano e meio: “Não há outra hipótese. Tem que haver sempre no plantel alguns jogadores com outro tipo de maturidade e idade, mas temos uma geração de talentos muito grande e é nisso que temos de trabalhar. temos que reter esse talento e procurar também fora.”
António Miguel Cardoso assumia querer combater a ideia de que a aposta na Formação se faça apenas por necessidade. “Independentemente de estarmos bem ou mal financeiramente, essa estratégia tem de ser cultivada. Acredito que os nossos jovens é que sejam o garante financeiro e desportivo do futuro do Vitória e, nomeadamente, a equipa B tem o projeto de pôr o jogador na equipa A”, salientou na referida entrevista.
O risco está inerente e o início de temporada do Vitória está a ser atribulado, mas António Miguel Cardoso continua a querer dar corpo à ideia. Miguel Maga, João Mendes, Gonçalo Nogueira, Miguel Nogueira, Diogo Sousa e Rodrigo Duarte estão à disposição de Luís Pinto e entram nessa dinâmica de aposta. Depois surgem os outros jovens recrutados noutras latitudes mas que, segundo o presidente vitoriano, também encaixam no perfil traçado: Mitrovic, Camara, Juan Castillo, Fabio Blanco e Strata, alguns deles já internacionais pelas seleções jovens dos seus países.
É neste projeto que António Miguel Cardoso aposta, acrescentando ao grupo os tais jogadores com maior peso de experiência. Charles, Abascal, Samu e Nélson Oliveira, nomeadamente, são responsáveis por esse suporte. É um projeto com sustentabilidade e que vai dar resultados, ou está condenado ao fracasso imediato do ponto de vista dos resultados desportivos e vai obrigar António Miguel Cardoso a demitir-se no final da época? O futuro o dirá…
Publicado em: 09/09/2025