Skip to content
  • Desporto
  • Bigger
  • Podcasts
  • Artigos de opinião
  • Imobiliária
  • Necrologia
  • GuimaPress
    • Rádio Santiago
    • Canal 2
    • O Comércio de Guimarães
    • Desportivo de Guimarães
    • Bigger Magazine
    • Guimarães Digital
    • Grupo santiago
  • Desporto
  • Bigger
  • Podcasts
  • Artigos de opinião
  • Imobiliária
  • Necrologia
  • GuimaPress
    • Rádio Santiago
    • Canal 2
    • O Comércio de Guimarães
    • Desportivo de Guimarães
    • Bigger Magazine
    • Guimarães Digital
    • Grupo santiago
Assinatura
Login
  • Desporto
  • Bigger
  • Podcasts
  • Artigos de Opinião
  • Necrologia
  • Imobiliária
  • GuimaPress
    • Rádio Santiago
    • Canal 2
    • O Comércio de Guimarães
    • Desportivo de Guimarães
    • Bigger Magazine
    • Guimarães Digital
    • Grupo santiago
  • Assinatura
  • Perfil
  • Desporto
  • Bigger
  • Podcasts
  • Artigos de Opinião
  • Necrologia
  • Imobiliária
  • GuimaPress
    • Rádio Santiago
    • Canal 2
    • O Comércio de Guimarães
    • Desportivo de Guimarães
    • Bigger Magazine
    • Guimarães Digital
    • Grupo santiago
  • Assinatura
  • Perfil
Assinatura Digital
Login

Cães no desemprego

Bolama
Teste fixo 2 - worten
““Um laço de 15000 anos gerou uma compreensão e um afeto muito profundo entre seres humanos e cães do que entre quaisquer outros animais. Em alguns casos, os cães mortos até eram enterrados de forma cerimonial, tal como os seres humanos.”
Yuval Noah Harari. Sapiens, de animais a deuses. 2011.
 
Há umas déca­das atrás a maior parte dos cães tinham uma função específica e utilitária na sua relação com as pessoas. Os mais populares, os cães de caça, eram muitas vezes tratados com especial desvelo pelos seus proprietários já que tinham dotes específicos: uns encurralavam a caça, outros detetavam as presas pela visão ou pelo faro, outros iam rapidamente buscar os animais abatidos, outros eram incrivelmente rápidos e ágeis. Lembro-me do porte elegante de um perdigueiro, branco e castanho, que nas épocas em que não trabalhava se deixava enlevar pela irrequietude das crianças sem sequer rosnar. Estava entre trabalhos e sabia ser em tempo sabático um admirável cão de companhia.
Outros eram cães de guarda que afastavam os atrevidos e que se atiravam às canelas dos larápios mais incautos. Os cães de guarda das casas em que era costume entrar e sair muita gente estavam acorrentados no comprimento certo para quem conhecia saber que podia passar e para intimidar outros que, com más intenções, não faziam ideia se aquela corrente metálica os protegeria de uma mordidela. Lembro-me do Chuchu em casa de um amigo meu que me tentou ferrar dezenas de vezes e ficava, esganado como sempre, a um palmo das minhas pernas quando eu penetrava em sua casa, pelas traseiras. E eu ficava essas dezenas de vezes com o coração aos saltos não fosse um dos elos alargar, ou eu alargar com a idade. Nunca confiando. E existiam os cães dos ceguinhos, pachorrentos e previdentes, sempre acautelando o seu dono como uma paciência e uma perspicácia assombrosas. E os cães da polícia, como hoje ainda existem, para dissuadir manifestações e encontrar droga em malas suspeitas. Inte­ligentíssimos e dis­ciplinados como a vida militar o exige.
O resto eram os cães vadios, que deambulavam pelas ruas com o particular critério de uma mão amiga lhe estender um pouco de pão ou um carinho e que as crianças adoptavam com um fervor que horrorizava as gravatas dos mais velhos quando uma das cadelas da matilha estava no cio.
Hoje já é raro apanhar esta magnífica espécie com funções atribuídas. São apenas, eufemisticamente, cães de companhia em T1 e T2 nos quais perdem indolentemente os instintos e as com­petências que os fizeram “o melhor amigo do homem” ao longo destes 15 milénios de fraterna parceria. Ou modelos fotográficos para as redes sociais. Daí a profusão de raças estranhíssimas que alimentam o negócio de quem quer ter o cão mais exótico, cruzados até à exaustão de uma duvidosa estética canina contemporânea. Daí a perda completa dos instintos que nós lhes apurámos ao longo do tempo, rejeitando aqueles que não nos serviam os propósitos e protegendo aqueles que o faziam. Perto de minha casa há uma quantidade enorme de cães de pátio e cães de varanda que ladram desesperadamente na sua falta de propósito. Há um deles, inclusivamente, que não sabe latir, nem sequer ganir, e chia desesperadamente ali­mentando, dia a dia, a minha perplexidade e a minha paciência. Os cães perderam propósito. São muitos e variados mas estão todos no desemprego funcional. Tristes e perdidos.
Mesmo assim os rafeiros ainda são os que mais se aproximam da sua finalidade enquanto espécie. Recordo um rafeiro que rondava as mesas do Largo da Misericórdia e que já há muito tempo não vejo. Sempre que passo por lá deito o olho a ver se o encontro, mas nada. Muitas das vezes o encontrei quando jantava na esplanada do largo e sempre admirei a sua elegância, a sua inteligência e a sua discrição. Parava a dois metros da mesa e olhava para nós sem fixar, só para dizer eu estou aqui. Se lhe dávamos algum pedaço de comida ele ia embora. Se não lhe dávamos ele percebia e desandava muito ciente de si mesmo e da sua dignidade de cão, sem aparente azedume. Nunca mais o vi. Deve ter-se fartado desta turistada de mastins, chihuahuas, huskys e rotwillers. E fez bem. Já chega de aturar esses pavoneantes sem função. Mais vale uma vida de cão que vida nenhuma, pensará o rafeiro.

Publicado em: 09/10/2018

Bolama Guimarães Verde Leapmotor VitrusBus APA
Guimarães Verde APA VitrusBus

Notícias em Vídeo Explorar Mais →

▶

Presidente da A.G. do Vitória apela à presença dos sócios na A.G.E.

Footer Guimarães Digital

Contactos Rápidos

+351 253 421 700
geral@guimaraesdigital.com
Edifício Santiago, Rua Dr. José Sampaio n.º 264, 4810-275 Guimarães
Ficha Técnica Contactos Estatuto Editorial
Copyright © 2026 EPIC Júnior
AO VIVO
A TOCAR AGORA
Aguardando rádio...
Consentimento de cookies e política de privacidade

Para proporcionar a melhor experiência possível, utilizamos tecnologias como cookies para armazenar e/ou aceder a informação do dispositivo. Ao consentir estas tecnologias, permite-nos processar dados como comportamento de navegação ou IDs exclusivos neste site. A recusa ou a revogação do consentimento pode afetar negativamente determinadas funcionalidades.

Funcional Always active
O armazenamento ou acesso técnico é estritamente necessário para a finalidade legítima de permitir a utilização de um serviço específico explicitamente solicitado pelo assinante ou utilizador, ou para a finalidade exclusiva de realizar a transmissão de uma comunicação através de uma rede de comunicações eletrónicas.
Preferences
The technical storage or access is necessary for the legitimate purpose of storing preferences that are not requested by the subscriber or user.
Statistics
The technical storage or access that is used exclusively for statistical purposes. The technical storage or access that is used exclusively for anonymous statistical purposes. Without a subpoena, voluntary compliance on the part of your Internet Service Provider, or additional records from a third party, information stored or retrieved for this purpose alone cannot usually be used to identify you.
Marketing
The technical storage or access is required to create user profiles to send advertising, or to track the user on a website or across several websites for similar marketing purposes.
  • Manage options
  • Manage services
  • Manage {vendor_count} vendors
  • Read more about these purposes
View preferences
  • {title}
  • {title}
  • {title}