O futuro da mobilidade entre Guimarães e Braga voltou a marcar o debate político no executivo municipal vimaranense. No período antes da ordem do dia da reunião desta segunda-feira, o vereador do PS, Ricardo Costa, defendeu a ligação ferroviária entre as duas cidades, enquanto o presidente da Câmara, Ricardo Araújo, reiterou que a prioridade do município é a concretização do projecto MetroBus.
A discussão surgiu na sequência da reunião do Conselho de Ministros realizada em Guimarães, a 3 de Julho, da qual resultou a aprovação de um financiamento de 80 milhões de euros para a primeira fase do BRT (MetroBus), ligando Guimarães às Taipas e ao AvePark.
Ricardo Costa considerou que o BRT “não é uma solução” para a ligação entre Guimarães e Braga, defendendo antes a criação de uma continuidade ferroviária entre as linhas de Braga e Guimarães. O socialista recordou o contributo do especialista em mobilidade António Babo para a inclusão dessa ligação no Plano Ferroviário Nacional e argumentou que fechar o “anel ferroviário” permitiria uma melhor articulação com a futura alta velocidade e com o sistema ferroviário nacional.
Para o vereador, Guimarães, Braga, Famalicão e Barcelos devem ser encarados como um único sistema urbano, no contexto da futura Área Metropolitana do Minho. “Não podemos olhar apenas para cidades, competimos com regiões”, afirmou, defendendo uma infraestrutura capaz de servir uma rede metropolitana e de reforçar a competitividade do território.
Ricardo Costa alertou ainda para os custos e dificuldades de implementação do MetroBus ao longo da EN101, considerando que nem todo o percurso poderá dispor de via dedicada.
Em resposta, Ricardo Araújo sublinhou que o compromisso assumido com os vimaranenses passa pela concretização do MetroBus e garantiu que esse continua a ser o foco do executivo. O presidente da Câmara considerou que o BRT responde a uma necessidade distinta da ferrovia, ao servir as populações ao longo do percurso entre a cidade e as principais vilas do concelho.
“O MetroBus permite uma ligação que sirva toda a linha e toda a população ao longo do percurso. Uma ligação ferroviária entre dois pontos não resolve esse problema”, afirmou.
O Autarca destacou ainda a importância da reunião do Conselho de Ministros realizada em Guimarães, classificando-a como um momento “histórico” e salientando a aprovação dos 80 milhões de euros para a primeira fase do projeto, com execução prevista até 2030.
Apesar de admitir que uma ligação ferroviária directa entre Guimarães e Braga poderia ser positiva, Ricardo Araújo frisou que governar implica definir prioridades. “Se me pergunta entre a ligação ferroviária e o MetroBus, a minha prioridade neste momento é trabalhar pela linha de MetroBus”, declarou.
O Presidente da Câmara responsabilizou ainda anteriores governos do PS por terem afastado a concretização da ligação ferroviária, recordando declarações do antigo secretário de Estado das Infraestruturas, Frederico Francisco, que estimou um custo próximo dos mil milhões de euros para uma ligação em ferrovia pesada entre Braga e Guimarães.
No final da discussão, Ricardo Araújo considerou que as posições de ambas as partes estão “bem definidas” e reiterou que o objectivo imediato é garantir a execução do projeto já financiado.
Publicado em: 20/07/2026