A saúde oral continua a ser uma das áreas mais negligenciadas por muitos portugueses, apesar do seu impacto directo na saúde geral, na autoestima e na qualidade de vida. Problemas como cáries, doenças gengivais, mau hálito ou sensibilidade dentária podem muitas vezes ser evitados através de hábitos simples e de um acompanhamento regular por parte do médico-dentista.
Para esclarecer algumas das dúvidas mais frequentes sobre higiene oral e tratamentos estéticos, estivemos à conversa com André Viseu, médico-dentista da Pentágono Dental que conta com clínicas em Guimarães centro, Pevidém e Gondomar.
Uma das perguntas mais frequentes nos consultórios prende-se com a periodicidade das consultas de rotina. Segundo André Viseu, a recomendação geral passa por uma avaliação de seis em seis meses. No entanto, essa frequência pode variar de acordo com cada paciente. “Existem pessoas que necessitam de um acompanhamento mais apertado, de três em três ou de quatro em quatro meses, sobretudo quando apresentam maior predisposição para problemas gengivais ou quando os hábitos de higiene oral não são os mais adequados.” A prevenção continua a ser a melhor forma de evitar tratamentos mais complexos e dispendiosos no futuro.
Se o puderem fazer mais vezes, perfeito. O médico-dentista recomenda uma escovagem após o pequeno-almoço e outra antes de dormir, considerando esta última a mais importante do dia. Durante o sono, a produção de saliva diminui significativamente, tornando a boca mais vulnerável à proliferação bacteriana. Por esse motivo, a higiene realizada antes de deitar assume uma importância acrescida na prevenção de cáries e doenças gengivais. Idealmente, a escovagem deve durar cerca de dois minutos, permitindo que o flúor presente na pasta de dentes actue de forma eficaz na protecção do esmalte dentário.
Apesar de muitas pessoas acreditarem que a escovagem é suficiente, André Viseu alerta para a importância do fio dentário. “A escova consegue limpar as superfícies externas dos dentes, mas não consegue remover eficazmente os resíduos alimentares e a placa bacteriana existentes entre os dentes.” É precisamente nessas zonas que frequentemente surgem cáries interdentárias, inflamações gengivais e situações de mau hálito. O especialista recomenda que o fio dentário seja utilizado antes da escovagem, permitindo remover previamente os resíduos acumulados para que o flúor da pasta dentífrica possa actuar de forma mais eficaz. Entre os vários tipos disponíveis no mercado, destaca os fios dentários com fibras expansivas, que considera mais confortáveis e eficazes para a maioria dos utilizadores.
Muitas pessoas desconhecem que existe uma sequência ideal para a higiene oral. Segundo André Viseu, o processo deve começar com o fio dentário ou outros métodos de limpeza interdental, como escovilhões ou jactos de água. Só depois deve ser realizada a escovagem. Esta ordem permite que os dentes fiquem completamente limpos antes da aplicação do flúor presente na pasta dentífrica. Além disso, o médico-dentista aconselha que, após a escovagem, não seja efcetuado um enxaguamento excessivo com água, de forma a prolongar a ação protectora do flúor.
A enorme variedade de produtos disponíveis pode gerar dúvidas nos consumidores. Para André Viseu, o critério mais importante é simples: verificar a concentração de flúor. “O flúor continua a ser o principal agente protector contra a cárie dentária.” Quanto mais alta a percentagem, melhores resultados.
Outra dúvida recorrente prende-se com a escolha da escova de dentes. Embora existam escovas de cerdas macias, médias e duras, André Viseu recomenda claramente as de cerdas macias. Além de removerem eficazmente a placa bacteriana, apresentam menor risco de provocar traumatismos nas gengivas e desgaste dos tecidos. A técnica também é importante. Movimentos suaves e circulares são mais eficazes do que escovagens agressivas, frequentemente associadas à ideia errada de que fazer mais força significa limpar melhor.
Nos últimos anos, o branqueamento dentário tornou-se um dos tratamentos estéticos mais procurados. Para André Viseu, trata-se de um procedimento perfeitamente válido, capaz de melhorar significativamente a estética do sorriso e aumentar a confiança dos pacientes. “Um sorriso mais harmonioso acaba por ter impacto na autoestima e na forma como as pessoas se relacionam socialmente.” Contudo, o especialista defende que este tratamento deve ser sempre avaliado e acompanhado por um médico-dentista.
Embora ambos os métodos sejam eficazes, André Viseu revela uma preferência crescente pelo branqueamento caseiro supervisionado. Este método consiste na utilização de goteiras personalizadas e gel branqueador durante períodos definidos pelo médico-dentista. Segundo o especialista, as principais vantagens passam por uma menor sensibilidade dentária, menor irritação gengival, maior conforto para o paciente e pode escolher até que escala pretende branquear os dentes. Apesar de os resultados surgirem de forma mais gradual, são igualmente eficazes. Além disso, os kits permitem futuras aplicações de manutenção, prolongando os resultados ao longo do tempo.
Não existe uma resposta única. A durabilidade depende de factores como o tipo de esmalte dentário e os hábitos individuais de cada pessoa. Consumos frequentes de café, chá preto, vinho tinto, tabaco, alguns refrigerantes, molhos como ketchup ou determinados alimentos pigmentados podem acelerar o reaparecimento de manchas. Por esse motivo, a manutenção dos resultados depende tanto do tratamento realizado como dos cuidados adoptados no dia-a-dia.
Esta é uma das maiores dúvidas dos consumidores. Segundo André Viseu, as chamadas pastas branqueadoras não branqueiam verdadeiramente os dentes. O que fazem é remover algumas manchas superficiais provocadas por factores externos, como café, tabaco ou vinho tinto. No entanto, muitas destas pastas apresentam uma abrasividade elevada e, quando utilizadas de forma continuada, podem desgastar o esmalte dentário. Esse desgaste pode, paradoxalmente, tornar os dentes mais escuros ao longo do tempo, uma vez que expõe a dentina, uma camada naturalmente mais amarelada.
Durante o período de branqueamento, os dentes tornam-se temporariamente mais susceptíveis à absorção de pigmentos. Por isso, é recomendável evitar ou reduzir o consumo de tabaco, café, chá preto, vinho tinto e outros alimentos ou bebidas que possam manchar os dentes. Também alguns colutórios específicos podem interferir nos resultados, razão pela qual o acompanhamento profissional assume especial relevância durante todo o processo.
Embora possam ser úteis como complemento, André Viseu considera que os colutórios não devem substituir os pilares fundamentais da higiene oral: fio dentário e escovagem. O especialista aconselha atenção aos ingredientes presentes nos produtos. Os colutórios para utilização diária devem, preferencialmente, ser isentos de álcool e de clorohexidina. A clorohexidina é um excelente desinfetante em situações específicas, como pós-operatórios ou tratamentos gengivais, mas o seu uso prolongado pode provocar manchas nos dentes. Já o álcool pode causar irritação dos tecidos orais quando utilizado regularmente.
Numa altura em que as redes sociais estão repletas de conselhos rápidos e soluções milagrosas, André Viseu deixa uma mensagem clara: a saúde oral deve ser acompanhada por profissionais qualificados. Muitas das informações que circulam online podem ser incompletas ou mesmo incorrectas, levando a hábitos prejudiciais para a saúde dentária.
Por isso, aconselha os pacientes a esclarecerem sempre as suas dúvidas junto do médico-dentista e a encararem a prevenção como o melhor investimento para manter um sorriso saudável ao longo da vida.
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Andre Viseu (médico dentista) OMD nº 10584 | Pentagono dental registo nº 22294/2022
Publicado em: 22/06/2026