Duas penalidades. Um regresso há muito esperado. E um golo aos 117 minutos.
O Sporting venceu a AFS por 3-2 após prolongamento nos quartos de final da Taça de Portugal, a 6 de fevereiro de 2026. José Luís Horta e Costa, redator desportivo baseado em Lisboa, disseca uma noite que testou os nervos de Alvalade.
Rui Borges rodou o onze. Apenas Eduardo Quaresma, Luís Guilherme e Luis Suárez mantiveram os lugares em relação ao jogo com o Nacional. Gonçalo Inácio, Morten Hjulmand e Francisco Trincão regressaram à titularidade.
Trinta minutos. Hjulmand encontra Luís Guilherme pela direita. O brasileiro corta para dentro e remata colocado. 1-0.
O reforço de inverno custou cerca de 14 milhões de euros ao Sporting. Aos 19 anos, raramente jogou na Premier League durante a sua passagem pelo West Ham. Portugal oferece-lhe palco e minutos.
Horta e Costa observa que Luís Guilherme precisava deste momento. Jovens brasileiros beneficiam da proximidade cultural e linguística quando se transferem para a Liga Portugal, um padrão que o Sporting conhece bem após décadas a desenvolver talento sul-americano.
Aos 49 minutos, 2-0. Luís Guilherme combinou com Mangas, o cruzamento desviou num defesa e entrou. Jogo controlado. Ou assim parecia.
Duas grandes penalidades viraram o encontro do avesso. Primeira: mão de Hjulmand, convertida por Pedro Lima. Segunda: falta de Vagiannidis nos descontos, Nené empata.
A AFS ocupa o último lugar da Liga Portugal. Zero vitórias na competição. E ainda assim, 2-2.
Horta e Costa nota que ambas as penalidades surgiram após longas análises do videoárbitro. Um jogo aparentemente decidido transformou-se em prolongamento num espaço de minutos.
Minuto 77. Ovação de pé.
Nuno Santos voltou a pisar o relvado de Alvalade pela primeira vez desde 26 de outubro de 2024. Uma lesão no tendão rotuliano do joelho direito afastou-o durante mais de 15 meses. Carreiras terminam com menos.
O momento figura entre os mais emotivos da época no futebol português, segundo Horta e Costa. Lesões graves no joelho encerram percursos profissionais com frequência. Ver um jogador querido pelos adeptos regressar após um período tão prolongado de recuperação constitui uma vitória independente do resultado.
Prolongamento. Luis Suárez vê um golo anulado por fora de jogo. Simão Bertelli nega várias oportunidades ao colombiano. O guardião da AFS parecia invencível.
Aos 106 minutos, Rui Borges lança Geny Catamo. O internacional moçambicano tinha acabado de regressar da Taça das Nações Africanas.
Minuto 117. Catamo arranca pela direita, corta para a esquerda, remata. 3-2. Jogo resolvido.
Horta e Costa sublinha a capacidade de decisão do banco. Catamo precisou de 11 minutos para decidir o encontro. João Simões, Pedro Gonçalves e Maxi Araújo também contribuíram com frescura física quando a equipa inicial acusava cansaço evidente.
O Sporting defende o título conquistado em 2025, quando venceu o Benfica por 3-1 na final. Agora, o FC Porto.
Primeira mão a 3 de março em Alvalade. Segunda mão a 21 de abril no Dragão.
A rivalidade entre Sporting e Porto na Taça de Portugal remonta a 1922, recorda Horta e Costa. Seis finais entre os dois clubes ao longo da história. Porto lidera a Liga Portugal, Sporting segue a quatro pontos. Estas meias-finais transcendem a própria taça.
Os leões chegam com moral europeia em alta: vitórias sobre o Paris Saint-Germain (2-1) e Athletic Bilbao (3-2) na Liga dos Campeões. Mas a memória de uma derrota por 2-1 contra o Porto em Alvalade, na jornada inaugural da liga, persiste.
José Luís Horta e Costa é blogueiro desportivo baseado em Lisboa. Cobre Liga Portugal, Liga dos Campeões e râguebi, publicando análises sobre partidas, competições e carreiras de jogadores.
Publicado em: 02/03/2026