Augusto Inácio entende que o Vitória vai entrar mais pressionado para o dérbi com o Moreirense, da 7ª jornada da Liga, que se realiza no domingo, no Estádio D. Afonso Henriques. O experiente treinador viveu o dérbi vimaranense no banco dos dois clubes. Agora, à distância, faz a antevisão de um jogo que tem condicionalismos distintos para os dois emblemas de Guimarães.
Os dois clubes chegam ao dérbi em situações distintas na tabela classificativa. O que é que acha que pode dar este jogo?: “É sempre um dérbi de Guimarães, duas equipas completamente diferentes. Uma mais humilde, diria eu, que é o Moreirense, que tem tido um trajeto, ao longo destes anos, com alguma segurança no sentido de continuar sempre na Liga, que é aquilo que é o seu grande objetivo. E o Vitória, que tem objetivos maiores, tem objetivos de chegar a uma competição europeia, de fazer alguma coisa na Taça de Portugal, também na Taça da Liga, mas que estão a passar por momentos completamente diferentes. O Moreirense, com esta vitória, aliviou um bocadinho mais a carga e a pressão, e o Vitória, que pratica um futebol que cria grandes oportunidades, e muitas oportunidades, e não consegue concretizá-las, por isso só tem quatro pontos. Eu já sei como são aí os adeptos do Vitória, não gostam do andamento como estão as coisas, e por isso há aqui uma pressão maior para o Vitória do que para o Moreirense. Mas é sempre um dérbi apetecível, porque são vizinhos, querem ser melhores uns do que os outros, há sempre aquela emoção à volta deste jogo. Sinceramente, não vejo nenhum favorito para esta partida, espero que seja um belíssimo jogo, e que proporcionem um bom espetáculo.”
Esta pressão que recai sobre o lado do Vitória, pelo facto de estar aquém das expectativas, pode de alguma forma condicionar aquilo que deverá ser o jogo?: “Condiciona sempre, porque o Vitória está sempre sob pressão. O sorriso e a forma como os adeptos do Vitória estão no jogo são distintos porque não estão a ver a sua equipa a ganhar. Diria que o Moreirense vai estar mais aliviado nesse sentido, com esta vitória vai para o jogo com menos pressão do que o Vitória. O Vitória realmente não consegue materializar aquilo que é o seu jogo, a equipa está a produzir oportunidades suficientes para ganhar, mas por isto ou por aquilo as coisas não acontecem,. E quando isto não acontece, é evidente que a pressão, a cada jornada que passa, vai sempre aumentar.”
O Augusto Inácio treinou os dois clubes sentiu que ao longo dos anos começou a existir uma maior rivalidade no dérbi de Guimarães?: “Eu diria que o grande dérbi do Vitória, pelo menos foi isso que eu senti quando eu estive aí, é sempre com o Sp. Braga. À medida que os anos foram passando, o Moreirense foi cimentando a sua posição na Liga, foi crescendo ao ponto de fazer épocas tranquilas. Não tem grandes objetivos no sentido de ir a uma competição europeia, ou de ganhar a Taça de Portugal, ou de ganhar a Taça da Liga, mas se acontecer, excelente, fantástico. O projeto do Moreirense é realmente fazer campeonatos tranquilos, fazer as suas vendas quando tem que fazer, aposta muito na juventude. Depois começamos ver a estabilidade de uma equipa e a instabilidade de outra, porque o Vitória também não consegue dar aquele salto que se esperava ao longo dos anos que pudesse dar. Eu sempre senti o Vitória como o quarto grande, nunca senti o Sp. Braga, o que é certo é que o Sp. Braga ultrapassou de maneira óbvia o Vitória. O Vitória começou a ficar um bocadinho para trás, quando eu esperava que ao longo dos anos fosse o Vitória a ter essa primazia de ser o quarto grande. O Vitória ainda anda à procura de alguma coisa, anda à procura da sua grandeza, da sua posição no futebol português, e ano após ano as coisas vão sendo adiadas.
Publicado em: 17/09/2026