Na reunião da Câmara Municipal de Guimarães, realizada esta segunda-feira, o vereador socialista Ricardo Costa levantou preocupações sobre alegadas transmissões de dados provenientes dos autocarros elétricos da marca chinesa Yutong, operados pela concessionária Guimabus, para servidores localizados em Frankfurt e, potencialmente, acessíveis ao fabricante.
O Vereador Socialista questionou o presidente da Câmara sobre se já foram realizadas diligências junto da empresa Guimabus e do fabricante, alertando para possíveis riscos associados à recolha e controlo de informação.
“Sabemos que a economia do futuro é a economia dos dados. É importante que isso seja feito com legitimidade e respeito pelas regras internacionais, nomeadamente o RGPD (Regulamento Geral sobre a Proteção de Dados). A questão é se já tentou saber junto do fabricante chinês se isto é verdade e se a Guimabus está tranquila quanto a esta situação”, afirmou Ricardo Costa.
O presidente da Câmara, Ricardo Araújo, confirmou que, “logo no próprio dia em que a notícia veio a público”, foi realizada uma reunião com o concessionário para solicitar informações concretas sobre o tema.
A Vereadora Vânia Dias da Silva completou as explicações, adiantando que a Câmara Municipal chamou de “imediato” a Guimabus para prestar esclarecimentos sobre as notícias que sugeriam a possibilidade de os autocarros serem desligados remotamente.
“O operador informou-nos que também foi surpreendido com a notícia e está a investigar que dados são armazenados e se é realmente possível o desligamento remoto dos veículos”, referiu.
Segundo a Vereadora, a Câmara exigiu garantias de que “tal situação não poderá ocorrer” e pediu a “revisão do contrato de fornecimento” para que esta questão fique “absolutamente esclarecida” e contemple “penalidades graves” caso se comprove alguma violação ou risco para o serviço público.
“Estamos a aguardar esclarecimentos cabais, mas essa foi a nossa preocupação desde o primeiro momento. Esperamos ter todas as garantias no fim desta semana ou no início da próxima”, concluiu Vânia Dias da Silva.
A Câmara Municipal de Guimarães aguarda agora a resposta formal da Guimabus e do fabricante Yutong, de modo a assegurar que a operação dos autocarros cumpre integralmente as normas de “segurança, protecção de dados e continuidade do serviço público”.
No final da reunião do executivo vimaranense, o Vereador do Chega, Nuno Vaz Monteiro, acrescentou que a única preocupação é “perceber se algo pode ser usado contra nós [Portugal]”. “O facto de os fabricantes poderem desligar remotamente os carros não é novidade para ninguém. Durante o furacão Katrina, a Tesla auxiliou os condutores a sair por melhores percursos. A única questão que aqui se coloca está num fabricante sob alçada do Estado Chinês e de que forma pode ser utilizado contra nós. Esta suposta privacidade que quando andamos de carros eléctricos não existe. A única questão é a utilização de dados”, explicou.
Publicado em: 10/11/2025