A Associação do Comércio Tradicional de Guimarães (ACTG) admite que poderá haver uma nova solução para a carga e descarga de turistas no centro da cidade, após uma reunião entre os comerciantes, a associação e o presidente da Câmara Municipal de Guimarães, Ricardo Araújo.
Em declarações após o encontro, Cristina Faria, da ACTG, explicou que a reunião surgiu na sequência das queixas de comerciantes da zona afetada pela retirada dos autocarros turísticos, que diziam estar a sofrer “grande prejuízo” com a alteração.
Segundo a responsável, Ricardo Araújo mostrou “abertura para fazer uma nova tentativa”, de forma a conciliar o normal funcionamento da cidade com a actividade económica local. A solução em cima da mesa passa por autorizar a paragem das viaturas turísticas no início da Avenida D. João IV, numa zona destinada exclusivamente a cargas e descargas.
Cristina Faria sublinhou, no entanto, que os autocarros não poderão permanecer estacionados no local. “Não poderão, de maneira nenhuma, ficar lá estacionados”, afirmou, considerando que foi precisamente esse abuso, por parte de operadores e agências de viagem, que levou à retirada anterior das viaturas do Largo da República do Brasil.
A representante da ACTG disse esperar que, desta vez, as operadoras cumpram as regras e deem instruções claras aos motoristas para apenas efetuarem a entrada e saída de passageiros, abandonando de imediato o local. “Ali não é local de estacionamento”, frisou.
Para a associação, esta solução poderá permitir manter o fluxo de turistas na mesma zona e, ao mesmo tempo, apoiar os comerciantes que se sentiram prejudicados com a deslocalização da paragem. Cristina Faria referiu que os próprios associados da zona alertaram a ACTG para os impactos negativos das alterações introduzidas, embora tenham sido também os primeiros a reconhecer que a situação anterior era insustentável.
“Era uma confusão enorme, não poderia continuar assim”, disse, descrevendo a permanência prolongada das viaturas no local, por vezes durante mais de uma hora à espera dos turistas, como uma situação “horrível”.
A dirigente explicou ainda que a ACTG expôs o problema à vereadora Vânia Dias da Silva e pediu ao município a possibilidade de testar uma nova solução. Paralelamente, os comerciantes afectados também contactaram directamente a autarquia, o que levou o presidente da Câmara a promover uma reunião conjunta para avaliar alternativas.
A hipótese agora avançada é, segundo Cristina Faria, “a última tentativa”. Caso os operadores cumpram as regras, o modelo poderá manter-se. Se voltarem a verificar-se abusos, a paragem poderá voltar a ser retirada daquele local e transferida para outra zona onde não cause perturbações.
A alteração deverá entrar em vigor no final da próxima semana. De acordo com Cristina Faria, o presidente da Câmara já deu indicações para que o processo avance, embora os trabalhos necessários ainda possam demorar alguns dias.
Publicado em: 20/03/2026