A Associação dos Silvicultores do Vale do Ave (ASVA) já recebeu os equipamentos que vão estar ao dispor da equipa de sapadores florestais que vai exercer funções em Guimarães. Um veículo devidamente apetrechado, assim como as ferramentas e a maquinaria que vão ser utilizadas pelos futuros cinco sapadores florestais já chegaram à sede daquela organização de produtores silvícolas.
A ASVA assumiu a responsabilidade pela implementação deste projecto, na sequência da decisão do Instituto da Conservação da Natureza e da Floresta (ICNF), no âmbito da Estratégia Nacional para as Florestas e no dispositivo da Defesa da Floresta Contra Incêndios Florestais.
O Presidente da ASVA, José Sequeira Braga, assinalou que a associação comprometeu-se a seleccionar e contratar os cinco elementos constituintes da equipa que "vai exercer funções de silvicultura preventiva, como a limpeza de caminhos, e demais intervenções de prevenção e defesa da floresta, com o objectivo de maximizar os rendimentos da floresta para os proprietários através da minimização dos riscos de incêndio, que é o grande inimigo da floresta".
O responsável realça que a actividade da equipa será enquadrada no âmbito da estratégia definida pelo ICNF e no Plano Municipal de Defesa da Floresta. "A equipa vai estar no terreno a exercer uma actividade que obedecerá a um plano que tem três responsáveis: o ICNF, a Câmara e a Associação de Silvicultores", apontou Sequeira Braga, ao manifestar a esperança que a sua implementação reduza os riscos de incêndios florestais durante o verão e permita maximizar os rendimentos da floresta. "O fogo é um inimigo, o nosso objectivo é fazer com que sejam criadas condições para que a floresta produza", observou, exortando os proprietários a acreditarem "no potencial enorme da floresta". "É um investimento que funciona com um prazo grande. Na agricultura, pensamos a um ano, na floresta temos de pensar a 10 ou 20 anos, mas vale a pena pensar no potencial desses recursos", disse, garantindo que os "sapadores estarão em Guimarães para apoiarem, ajudarem e exercerem diferentes tarefas ligadas à área da silvicultura".
Lamentando que não exista um cadastro das propriedades florestais, Sequeira Braga reconhece que esse é um dos problemas que se colocam ao sector, juntando-se a ele o facto da dimensão das propriedades ser reduzida e com várias parcelas dispersas no território. "Há anos que se fala na criação de um cadastro, era muito importante para o sector florestal e a ASVA poderia dar um contributo se assim as entidades entendessem e dessem os meios para avançar com isso", apontou, ao considerar que essa identificação dos terrenos "poderia contrariar a tendência de abandono que está muito associado aos incêndios".
"Uma mata que esteja a ser explorada tem um risco de incêndio menor. E quando as explorações são pequenas, mesmo que a minha esteja cuidada, se a do lado não estiver, o fogo não olha a fronteiras, não pára e facilmente pode comprometer um projecto sério", anotou, ao referiu que o programa de sapadores florestais já existe há vários anos e a ASVA já tem três equipas a trabalhar em três outros concelhos: Santo Tirso, Trofa e Famalicão.
"Em Guimarães, é a nossa quarta equipa. É um objectivo que procurávamos há muito tempo porque é aqui que temos a nossa sede e temos aqui muitos associados. Finalmente, conseguimos! No próximo Inverno, a equipa já estará operacional e a trabalhar no monte. As pessoas vão ver a carrinha amarela dos sapadores a passar", advertiu, afirmando que "os riscos vão continuar a existir, porque os problemas como a falta de cadastro, a exploração de minifúndio e o eucaliptal abandonado não estão solucionados". "A floresta precisa de uma mudança de atitude por parte de todos", desafiou, adiantando que a equipa está a ser constituída e só iniciará funções quando estiver concluído o rigoroso programa de formação.
Os membros da equipa de sapadores florestais serão agentes da Protecção Civil, nos termos da Lei de Bases da Protecção Civil, com missões de intervenção de protecção civil previstas em directivas operacionais específicas da Autoridade Nacional de Protecção Civil.
A Câmara Municipal de Guimarães compromete-se a apoiar financeiramente o funcionamento da Equipa de Sapadores Florestais, suportando a parte correspondente ao auto-financiamento no valor anual de 40 mil euros. O protocolo será apresentado à Vereação na próxima reunião do Executivo.
Publicado em: 01/09/2017