Os Reis de Espanha vêm esta segunda-feira a Guimarães a convite do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, reeditando a visita do rei Juan Carlos, acompanhado pela rainha Sofia realizada em 1978.
A visita real foi um acontecimento histórico para a Cidade de Guimarães. Como registou o jornal O Comércio de Guimarães, no dia 5 de Maio desse ano, Guimarães abriu os braços e o coração para bem receber o monarca espanhol e o Chefe do Estado português, Ramalho Eanes.
"Aqui se vai assinalar, como acontecimento de extraordinária importância, a ratificação do Tratado de Amizade. Através dele se fortificam os laços que interessam sempre vigorosos, que unem Portugal e Espanha. Como convém à paz do mundo, tão inquieto e a viver em sobressalto, os dois povos vizinhos continuam a entender-se, a dar-se bem, a estudar em comum os seus problemas e a pôr de lado tudo quanto possa alterar a via dum entendimento recíproco.
No xadrez da política internacional, a península ibérica pode transformar-se em seguro baluarte de paz, desde que os negócios sociais e políticos encontrem meios de interesse e de validade comum. Em nada e por nada Portugal e Espanha podem viver dissociados duma política de paz, de progresso, e de sério entendimento.
O diálogo entre os dois povos, por realidades geográficas, é permanente, surge todos os dias e por mor disso não podem voltar-se as costas. Quanto mais interessados numa política da boa vizinhança e de conciliação de vontades e desafios, mais conveniente. Uma nova era se abre à amizade que liga Portugal, e a Espanha. Que se mantenha a fortifique", refere o nosso jornal, antes da visita.
Na edição seguinte, dá conta que "o povo de Guimarães viveu um momento alto da sua vida e a sua história, com a visita dos Reis de Espanha e a cerimónia que teve lugar no Paço dos Duques de Bragança.
O povo vimaranense acolheu o rei Juan Carlos e a rainha Sofia com indescritível entusiasmo. Foram milhares de pessoas postadas pelas ruas do percurso e em frente do Paço Ducal que aclamaram os soberanos.
Os ministros dos Negócios Estrangeiros de Portugal e de Espanha, em presença dos respectivos Chefes de Estado, assinaram os instrumentos de ratificação do Tratado, que revogou o obsoleto Pacto Ibérico.
Este acontecimento, no dizer do Monarca espanhol, dá início a uma nova época de colaboração mais estreita, de compreensão autêntica e de mútuo respeito, para empreender sobre estas firmes bases os caminhos que levem os dois povos a um caminho de prosperidade.
No preâmbulo do tratado, firmado pelos ministros Sá Machado, pelo lado português e Marcelino Oreja, afirma-se que a cooperação entre os dois países servirá a causa da unidade europeia e contribuirá para a paz e segurança internacionais,criando uma zona geográfica de estabilidade e progresso na confluência do Atlântico com o Mediterrâneo".
No campo económico, prevê-se ainda, nos termos do documento, que ambos os países vão estimular o desenvolvimento equilibrado e mutuamente vantajoso das suas relações económicas, especialmente nos setores da indústria, comércio, mineração agricultura, pesca transportes e turismo, tendo em conta o seu contexto multilateral e da harmonia com os objetivos que, no âmbito dos grandes espaços económicos são prosseguidos por ambos os países.
Os sectores de educação e cultura são também contemplados, prevendo-se o ensino da língua materna dos emigrantes e ainda o incremento da difusão de obras literárias, musicais, cinematográficas e televisivas.
No campo militar, os dois países favorecerão a cooperação militar entre as forças armadas, dando particular importância aos intercâmbios de pessoal, à realização de cursos, à comparação de experiências sobre métodos de instrução, assim como à execução dos exercícios combinados».
Publicado em: 28/11/2016