De hoje até sábado, o Pequeno Auditório do Centro Cultural Vila Flor volta a acolher as apresentações dos projectos do concurso de apoio à criação teatral para os grupos de teatro de amadores do concelho de Guimarães. As sessões decorrem às 22h00 e pelo palco vão passar os grupos Astronauta – Associação Cultural, Citânia – Associação Juvenil e Teatro de Ensaio Raul Brandão.
Realizado anualmente, o concurso de apoio à criação teatral para os grupos de teatro de amadores do concelho de Guimarães tem como objectivos promover a criação, a divulgação e o desenvolvimento de obras da dramaturgia de todas as épocas, apoiar a actividade dos grupos de teatro de amadores do concelho de Guimarães e fomentar o gosto pela fruição e prática artística na área do teatro.
Ao longo de três dias, os projectos vencedores da edição de 2016 sobem ao palco do CCVF para se darem a conhecer ao grande público. Em cena vão estar as peças “Prec no Prato!”, da Astronauta – Associação Cultural (20 de outubro), “Para o comboio da meia-noite”, da Citânia – Associação Juvenil (21 de outubro), e “Húmus”, do Teatro de Ensaio Raul Brandão (22 de outubro).
A primeira peça a passar pelo Pequeno Auditório do CCVF é “Prec no Prato!”, da Astronauta – Associação Cultural. Num espectáculo a dois tempos e com a cena separada entre os episódios de 1976 e o reencontro de 2016, o público será convidado a emergir nas memórias da Revolução, do PREC e dos primeiros passos da democracia portuguesa, numa altura em que a política é ainda a essência de todas as conversas.
No segundo dia de Mostra de Teatro de Amadores, a Citânia – Associação Juvenil apresenta “Para o comboio da meia-noite”, um espectáculo visual que integra extratos da obra “Diálogos de Refugiados”, de Bertolt Brecht. Um livro pouco conhecido, escrito durante a II Guerra Mundial, que apenas se encontra disponível em duas línguas. A estes extratos, o encenador Bruno Laborinho mistura uma dramaturgia original, criando um paralelismo arrepiante entre o ambiente político e sociocultural descrito por Brecht e o actual.
A edição deste ano termina com “Húmus”, do Teatro de Ensaio Raul Brandão, no ano que antecede a celebração dos 150 anos sobre o nascimento do escritor. “Húmus” é um passar do tempo numa vila imóvel, sempre em mudança inerte. O palco será transformado nessa vila e nos espaços íntimos que a habitam. O trabalho cénico, bem ao estilo de Brandão, é povoado apenas por esses corpos na procura do devir, na procura de um sentimento de saciação da vida e por elementos que os ajudem na relação com o tempo.
Publicado em: 20/10/2016