É preciso recriar o Estado democrático. A ideia foi defendida pelo sociólogo António Barreto, na última conferência do ciclo ?40 anos de Abril, ponte para o futuro?, realizada na Sociedade Martins Sarmento.
António Barreto começou por falar das “forças motoras” que contribuíram para a mudança do país, desde a década de 60 do século passado, nomeadamente a candidatura de Humberto Delgado, a criação da EFTA, a guerra do Ultramar, o 25 de Abril, as nacionalizações, o estado social e a globalização, entre outras. Depois referiu-se aos acontecimentos que operaram “grandes mudanças”, como a metamorfose demográfica, a sociedade plural, a aposta na educação e no sistema de saúde, para concluir que o balanço e «enormemente positivo».
Ainda assim o percurso feito por Portugal nos últimos anos regista “falhanços”, considerando António Barreto que em primeiro lugar está a «dependência» do país aos credores. Portugal tem a soberania e independência penhoradas, afirmou.
O antigo deputado e ministro socialista não ignora que a «demagogia política e a corrupção» na gestão pública resultaram em consequências nefastas para o país. Ainda assim, não tem dúvidas de que os portugueses têm razões para se orgulharem do país.
Desafiado a perspectivar o futuro, António Barreto disse que não é fácil e considerou que há razões para estar apreensivo com o futuro.
Publicado em: 27/04/2015