Este sábado há dérbi vimaranense. A vila de Moreira de Cónegos recebe o Moreirense-Vitória, um jogo que é muito mais que uma partida de futebol.
A história revela ligações fortes entre os dois clubes. Jogadores que já defenderam os dois emblemas, um presidente que já liderou os destinos de ambos, e a certeza de que há uma imensidão de adeptos do Moreirense que também sofrem pelo Vitória. E vice-versa, claro está.
Flávio Meireles, Alex, Palatsi, Afonso Martins, Jorge Duarte, João Duarte, Nuno Claro, Orlando, Manoel, Ricardo Fernandes, Armando Evangelista, Tito, Armando, Roldão e muitos outros têm em comum o facto de terem jogado por Vitória e Moreirense. Curiosamente, o actual director desportivo do Vitória foi dos poucos que alinharam pelos Cónegos no escalão principal do futebol português.
Nos actuais plantéis a excepção é Diogo Cunha. Vimaranense, formou-se no Vitória mas nunca jogou no seu clube como sénior. Desponta esta temporada em Moreira de Cónegos.
Manuel Machado treinou os dois emblemas. Foi campeão nacional com os juniores dos Conquistadores, mas foi em Moreira que fez mais história, ao levar o pequeno clube vimaranense ao título da 2ª Divisão Nacional, a actual Segunda Liga. Vítor Magalhães lidera os destinos dos axadrezados de Moreira, mas também já comandou os destinos dos vitorianos. Está, contudo, ligado a um dos períodos mais negros da história vitoriana, a descida de divisão em 2006.
Manuel Almeida, que durante muitos anos presidiu aos destinos do Moreirense Futebol Clube já se candidatou à Presidência do Vitória – foi vice-presidente de Emílio Macedo da Silva – e continua a ser presença assídua tanto no Complexo como no Estádio D. Afonso Henriques. O mesmo não acontece com Vítor Magalhães, que desde que deixou a direcção do Vitória nunca mais foi visto nas bancadas do estádio do Rei, à semelhança dos últimos ex-presidentes do clube. Curiosamente, outro ex-líder do Moreirense, e actual vice-presidente do clube, Joaquim Almeida – que sucedeu a Vítor Magalhães aquando da sua passagem pelo Vitória – assiste várias vezes aos jogos dos vitorianos, clube que nunca escondeu ser a sua grande paixão.
No sábado o jogo está marcado para as 20h15. Pouco depois ligar-se-ão as torres de iluminação do Parque de Jogos Comendador Joaquim de Almeida Freitas. Torres que pertenceram em tempos ao Estádio Municipal de Guimarães e que a Autarquia vimaranense, aquando da última remodelação tendo em vista o Euro 2004, transferiu para o recinto do Moreirense. Cónegos que chegaram mesmo a jogar em ‘casa’, no D. Afonso Henriques, para aumentar a receita, num encontro com o Benfica. Já o Vitória, este ano, cumpriu o primeiro jogo da sua equipa B na condição de visitado no recinto moreirense.
Mas há mais. Os hinos dos dois clubes foram compostos pela mesma pessoa. O conhecido vitoriano Dino Freitas. Dizem as respectivas letras que «o verde da esperança» pertence ao Moreirense, fundado a 1 de Novembro de 1928, enquanto o Vitória, cujo ano de fundação remonta a 22 de Setembro de 1922, tem «o emblema da glória e a espada de Afonso Henriques».
Os dois clubes de Guimarães, separados por 11 quilómetros de distância e curiosamente o mesmo número de pontos na classificação, voltam a encontrar-se este sábado para a Liga.
Depois do triunfo, pela margem mínima (2-1) do Vitória na primeira volta, é a vez do Moreirense fazer de cicerone a um clube que é mais do que um «irmão».
Mas nos 90 minutos estes dados não serão mais do que isso. Porque cada um quererá fazer a festa. O Vitória para continuar em lugares que dão acesso à Liga Europa, o Moreirense para tentar ainda alcançar a melhor classificação de sempre na Liga, competição onde nunca conseguiu bater o maior clube do Concelho. Nos nove jogos, os Conquistadores venceram cinco, enquanto que o Moreirense apenas evitou a derrota em quatro ocasiões.
Publicado em: 09/04/2015