A dois dias de começarem as festividades Nicolinas, a comissão deste ano cumpre os últimos preparativos.
Em Guimarães, Novembro é sinónimo de festas Nicolinas. Com 350 anos de história, esta festa é conhecida pela «festa dos estudantes» e traz milhares de pessoas à Cidade.
Jorge Almeida tem 18 anos, faz pelo segundo ano consecutivo parte da comissão das Nicolinas, detendo este ano o papel de presidente.
A comissão, constituída este ano por seis elementos, com estudantes dos 17 aos 20 anos, prepara durante dois meses uma festa de uma semana. Os peditórios porta-a-porta, nas lojas de comércio e nas empresas, são o sustento das várias festividades. «Durante dois meses, à chuva e ao frio fazemos peditórios a todo o tipo de pessoas. A pessoas em que a casa delas é mais pequena que o teu quarto, e que te dão cinco euros dizendo que têm pena de não poder dar mais. Ou a casas enormes que não dão nada». O apoio da Câmara mostra-se essencial, numa altura em que são raras as empresas que contribuem, e em que o dinheiro angariado é cada vez menor face às despesas cada vez maiores.
As instruções para a organização do evento são dadas pelos velhos Nicolinos, que ajudam em tudo o que é necessário e corrigem as falhas dos anos anteriores. «É importante esta transmissão de ideias dos velhos Nicolinos, porque quando entras para a comissão nem tudo está certo, estás em constante aprendizagem, a corrigir erros dos anos anteriores. O importante é que não se mudem as tradições», destacou a O Comércio de Guimarães. Esta ligação é maior aos últimos nicolinos, sendo a presença dos anos 70 pouco notável.
Nas festas há muita coisa que foi mudando ao longo dos anos. Uma delas foi o papel das mulheres. A participação escassa e limitada que tinham, tornou-se bem marcada, podendo estas hoje em dia tocar bombo e andar trajadas, tal como os homens. «Eu gosto que haja esta democratização do papel das mulheres, porque elas têm uma boa participação e activa, cumprem a tradição ao irem trajadas, ao contrário de muitos homens». Hoje em dia, todos os que participam na festa podem tocar bombos e caixas.
Nas escolas também é dada atenção a esta festa, havendo workshops de pintura e de bordado para as meninas fazerem as fitas para as lanças dos Nicolinos. No entanto, em falta está o estatuto de Nicolino, que há muito os estudantes pedem para ter, mas ainda não conseguiram.
«Participar nesta festa é incrível, é único. Quando estás à beira da tua comissão depois de o Pinheiro ser erguido, e reparares que dois meses de peditórios foram para aquilo, ou no dia das posses olhares para a tua mãe e vê-la a chorar com orgulho de ti, ou no dia das maçãzinhas as meninas estarem nas varandas à tua espera. É o trabalho de dois meses, e numa semana passa tudo a correr…»
Para o Presidente, o Pregão é o que mais significado tem para os estudantes, pois mostra a sua irreverência. Este é o momento em que o porta-voz dos estudantes faz um discurso sobre tudo «mostrando que o jovem não tem medo de dizer nada». Já o Pinheiro é considerado o momento mais difícil, porque coloca os jovens organizadores a lidar com um cortejo tão grande e a lidar com pessoas mais velhas do que eles exaltadas e alcoolizadas.
É da freguesia de Aldão que vem o Pinheiro, todos os anos. Este é erguido junto ao monumento Nicolino, no Campo da Feira, naquela que é considerada a noite mais longa da cidade de Guimarães. «Este vai ser um dos melhores pinheiros da história, porque é de sábado para domingo. Por causa da dimensão que a festa ganhou nestes últimos anos e do seu reconhecimento, este vai ser um dia incrivelmente difícil para a comissão», confessa.
O Pinheiro é a primeiro número da festa dos estudantes de Guimarães que se cumpre sábado à noite, num percurso que começa nas Cancelas da Veiga e termina no Campo da Feira.
Publicado em: 27/11/2014