Numa entrevista esta semana concedida ao Desportivo de Guimarães, Vítor Magalhães falou sobre os boatos que têm circulado pela cidade sobre a sua gestão no Vitória. Desde a alegada alta influência que o filho do presidente tem na contratação de jogadores até à sua representação; da alegada ligação privilegiada do clube a conhecidos empresários até à assinatura de avais financeiros, tudo tem servido para criar uma nuvem de desconfiança em torno do clube e do seu líder.
Que importância atribui aos boatos, que seguramente conhece, e que na última semana circularam ainda com maior intensidade? Comecemos pelas contratações de jogadores…
Não era minha intenção pronunciar-me sobre isso porque a mentira e o boato têm pernas curtas e nunca vão longe. No entanto, os sócios do Vitória merecem ser esclarecidos e é por eles que respondo. É verdade que alguns jogadores que foram contratados o técnico não os conhecia suficientemente bem, pelo que foram contratados à minha responsabilidade. Trata-se das contratações do Svard, Rivas, Tiero, Saganowski e Benachour. As provas por eles já dadas respondem pelo mérito da decisão. Quanto às restantes aquisições, o técnico entretanto contratado foi sempre ouvido e o seu parecer nunca deixou de ser favorável.
Diz-se que o seu filho tem uma enorme influência nas decisões que o senhor toma…
Por formação educacional e estilo de vida, cultivo relações familiares muito intensas e nelas se inclui, naturalmente, o meu filho. Por isso ele me acompanha com frequência nos jogos. Talvez tenha nascido daí a teoria da conspiração, segundo a qual há jogadores não vinculados exclusivamente ao Vitória ou de escolha estranha a mim próprio. Para que não fiquem dúvidas, não houve nenhuma influência ou interferência de alguém na escolha dos jogadores que estão, todos eles, contratualmente ligados ao Vitória e só ao Vitória. Todas as decisões foram da minha responsabilidade e não de estranhos ao clube, de familiares ou amigos. Espero que não se chegue ao extremo de pôr em causa questões de honestidade, porque se isso acontecer, quem o fizer será judicialmente responsabilizado até às últimas consequências.
Outro boato: há empresários privilegiados na relação com o Vitória. Diz-se que os principais privilegiados são Jorge Mendes e António Teixeira…
É bem verdade que são os dois maiores empresários portugueses, mas a isso respondo facilmente com dados concretos que podem ser comprovados. Os jogadores que fazem parte do plantel do Vitória – e são 30 – têm os seguintes representantes: sete são representados pelo Jorge Mendes, seis pelo António Teixeira, quatro pelo Dinis Fontão, quatro pelo vimaranense Fernando Duarte, um pelo Rui Neno, outro pelo Serginho, outro pela Stellar Group (o Dragoner, como se sabe), um pelo Vasco Santos (o Neca) e o Tiero era representado pelo Paulo Barbosa, como também se sabe. Os restantes não têm representante. Como se vê, neste clube não há exclusividade para ninguém e ninguém como empresário é discriminado positiva ou negativamente. Quem nos propõe um jogador com interesse, tem as portas abertas para que o Vitória contrate ou venda. Infelizmente, até hoje só um empresário nos proporcionou uma mais-valia através da transferência do Nuno Assis.
Outro boato que corre diz que alguns ex-dirigentes só foram utilizados por si para assinar avais…
Quanto às responsabilidades bancárias, a resposta é simples: para as operações correntes de tesouraria todos os avais são exclusivamente meus. O crédito de médio prazo, aprovado em Assembleia-geral para fazer face ao passivo herdado e que tem garantias reais, tem o meu aval e o de José Gonçalves Arantes. De mais ninguém.
Gostaria sinceramente que estes boatos ficassem por aqui. Os sócios do Vitória que tiverem dúvidas que venham falar comigo, porque posso explicar-lhes tudo com documentos comprovativos de tudo o que estou a dizer e não apenas por meras palavras. Não alimentem estas especulações sem sentido absolutamente nenhum.
Publicado em: 13/12/2005