Autoria e Leitura da mensagem: Mouhamed Mahemoud Djahate, pessoa apoiada pelo Projeto Consigo
Ser uma pessoa idosa com deficiência é viver desafios que não se substituem, mas que se acumulam. A idade e a deficiência associadas amplificam o impacto das limitações funcionais, tornando o dia a dia mais exigente.
Aquilo que já era difícil torna-se mais pesado. Para quem utiliza cadeira de rodas ou canadianas há décadas, os ombros doem mais, a força diminui e tarefas simples exigem cada vez mais esforço. A recuperação de uma queda ou de uma doença é mais lenta. Depois de anos a conquistar autonomia, muitas vezes é necessário reaprender a viver perante as novas condições e limitações que o corpo determina.
Mas as barreiras não são apenas físicas. O isolamento aumenta quando os espaços continuam inacessíveis, os transportes adaptados são insuficientes e a participação social depende da ajuda de terceiros. Muitas vezes, a sociedade olha para estas pessoas apenas como “velhos doentes”, esquecendo a sua capacidade de decisão e a autonomia conquistada ao longo de uma vida.
E as dificuldades tornam-se ainda maiores quando à idade e à deficiência se juntam outras características, como uma nacionalidade diferente, uma língua diferente ou uma minoria religiosa. O acesso a direitos, serviços e oportunidades pode tornar-se mais difícil.
Uma sociedade inclusiva é aquela que reconhece estas realidades e garante dignidade, participação e igualdade para todos, independentemente da idade, da deficiência, da origem ou do credo.