O Centro de Artes e Ofícios dos Fornos da Cruz de Pedra (CAOFCP) celebra o seu segundo aniversário este sábado, com um programa gratuito que, entre as 10h30 e as 20h00, propõe experiências para todas as idades em torno da palavra, do som, da manufatura e das emoções.
Oficinas, leituras, demonstrações, música e criação artística convidam a redescobrir o barro e os saberes ancestrais da olaria, colocando-os em diálogo com novas linguagens, práticas e comunidades.
A programação começa às 10h30, com “Contarinhar – uma visita poética”, uma proposta de Inês Lago dirigida a todas as idades. Partindo dos textos vencedores da primeira edição do Concurso Literário Contarinhar, organizado pel’A Oficina e pela livraria Rimas & Tabuadas, a autora propõe uma visita pouco convencional ao CAOFCP, desorientando os seus espaços através da poesia e convidando o público a descobrir o lugar a partir da palavra.
Às 11h00, “O som da terra”, oficina de instrumentos musicais em cerâmica orientada por Bruna Freitas, propõe uma exploração da relação entre as mãos, a matéria e a vibração. Através do barro, os participantes irão criar instrumentos únicos, descobrindo como gesto, forma, tempo e som se podem encontrar num mesmo objeto.
Durante a tarde, a criação coletiva assume particular destaque. Às 14h00, no âmbito da oficina comunitária da residência artística MICA e “BASEado em barros verídicos”, Selma Rosa Nunes e Joana BC orientam a construção e decoração da base de um forno de cerâmica que será posteriormente utilizado para cozer peças de barro e comida. A proposta convida a comunidade a participar diretamente neste processo de construção, levando consigo tecidos velhos, rendas, búzios, conchas, pedras ou peças de metal — materiais que poderão deixar uma marca no exterior do forno e integrar uma obra construída coletivamente.
A relação entre património, memória e música prolonga-se às 16h00, com a demonstração “Instrumentos populares do Alto Minho”, de Zuca Truca – Rafael Freitas e Mariana Campos. Concertina e cavaquinho convivem com instrumentos menos conhecidos, como a sarronca, o triquelitraque ou o próprio zuca-truca, numa apresentação que reúne mais de duas dezenas de instrumentos que fazem parte da nossa memória coletiva para conhecer e experimentar.
Às 17h00, a oficina “Brinquedos Sonoros”, também dinamizada pelo coletivo Zuca Truca, recupera a construção de instrumentos ancestrais a partir de elementos da natureza. Canas, bugalhos, bolotas e loureiro transformam-se em flautas, apitos, ocarinas e chamarizes, numa atividade dirigida a maiores de 8 anos que cruza experimentação, criatividade e conhecimento dos materiais naturais.
A programação prossegue às 18h00 com “Música murmura”, de Ana Beiradomar e Pedro João, duo dedicado à criação e interpretação de canções que estabelece pontes entre a música tradicional e o universo contemporâneo da música independente. Num ambiente sonoro intimista, palavra e música encontram-se para evocar o imaginário popular, recuperando canções que, entendidas como preces, mantras e rezas, inundam os dias de sentido, cor e mistério.
Às 19h00, “Pedra da vida”, de Louiza Malguitou, propõe um momento de cruzamento entre barro, escultura e música. A criação recupera a memória da Pedra Formosa e transforma o antigo forno da olaria num memorial às casas-mãe da cultura castreja, convocando a relação entre matéria, território e ritual. A apresentação tem acesso livre, condicionado à lotação disponível.
O dia de celebração termina às 20h00, com um encontro em torno de um jantar com curadoria de um restaurante local, prolongando o espírito de convívio e partilha que atravessa toda a programação deste dia.
Publicado em: 03/10/2026