Durante muitos anos José Manuel escreveu para ninguém. Guardava os textos, as frases e os poemas num lugar que era apenas seu. Não queria que os outros lessem, talvez porque aquilo que escrevia era demasiado próximo de si. Eram pensamentos, sonhos, inquietações e tudo aquilo que, ainda jovem, nem sempre conseguia dizer em voz alta. A escrita era, como ele próprio reconhece, uma espécie de psicólogo. Não lhe dava necessariamente as respostas, mas ajudava-o a encontrá-las.
A escrita entrou na sua vida por volta dos 17 ou 18 anos, muito antes de imaginar que aquelas palavras poderiam um dia transformar-se em canções. Cresceu entre letras e números, estudou em Guimarães depois de passar parte da infância em França e construiu uma vida profissional ligada a uma área bem diferente da música. Mas nunca deixou de escrever.
A música esteve sempre por perto. O gosto começou cedo e não conhecia fronteiras: do rancho folclórico ao metal, passando pelas canções que marcaram as décadas de 80 e 90. Gostava particularmente de bateria e chegou a tocar e cantar numa banda formada por amigos, vivendo também a experiência de subir a palcos durante alguns anos. “Ainda foram alguns anos na Guimaband, onde comecei na bateria, na ausência do vocalista assumi a parte vocal e foi uma experiência incrível”, frisou Mas acabou por descobrir que talvez o seu lugar na música não estivesse exactamente debaixo das luzes.
Encontrou-se no lado menos visível dos espectáculos. Primeiro na montagem e desmontagem de equipamentos, depois no som de palco e, mais tarde, na logística e acompanhamento de artistas. Actualmente é road manager dos Aronis Show, banda de Fafe que actua sobretudo na região Norte e Centro do País. É no backstage, entre cabos, horários, equipamentos, viagens e tudo aquilo que precisa de estar preparado para que um espectáculo aconteça, que se sente particularmente realizado.
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Publicado em: 07/10/2026