Cerca de meia centena de pessoas participaram esta tarde numa concentração LGBTQIA+ realizada em Guimarães.
A marcha pelas ruas da Cidade inicialmente prevista não aconteceu, com a organização a ter optado pelo encontro e convívio junto do coreto da Alameda de São Dâmaso, onde foi lido o Manifesto do Orgulho LGBTQIA+ de Guimarães, intitulado “A nossa Autonomia não é debatível: da rua à lei, a nossa voz não se cala!”
Em declarações ao Grupo Santiago, Owen, indicado como porta-voz, adiantou que a iniciativa procura alertar para “os ataques às minorias “, ser uma forma de luta contra “o retrocesso de leis”, “uma expressão de liberdade e defesa da diversidade de orientações sexuais e identidades de género.
“Infelizmente, a nossa sociedade está construída numa forma muito binária em termos de género. Acredito que uma pessoa tem de ter muita coragem para lutar contra as normas que orientam a organização da sociedade. Eu sou trans, só aos 25 anos ganhei coragem de me aceitar e assumir que sou trans. A minha filha tinha dois anos e não foi fácil. Ouço constantemente dizer que a minha filha vai sofrer na escola por causa de eu ser trans. As pessoas têm de ter muita coragem. Há pessoas que sofrem por viverem toda a vida dentro do armário”.
Oriundo de Ovar, Owen diz que a organização da sociedade exige “muita coragem para que as pessoas se assumam LGBTQIA+. “O ser humano não é igual, somos todos diferentes! O que seria da sociedade se fossemos todos iguais?” questionou, ao indicar que o evento contou com a participação de pessoas oriundas do Porto, de Braga e de Guimarães. “É importante a presença de pessoas de vários pontos do País porque os problemas são a nível nacional. A participação de pessoas de outras cidades permite partilhar diferentes perspectivas e posso dizer que a realidade de Ovar é semelhante à de Guimarães”, comentou.
No manifesto lido durante a iniciativa, refere-se, entre outras preocupações, que “a autonomia corporal e a autodeterminação de género não são negociáveis”. “Não permitiremos que transformem os nossos corpos e identidades num campo de batalha e jogada política”, declaram, exigindo “o acesso livre a cuidados de saúde trans, a preservação da autodeterminação no registo civil e uma Educação para a Cidadania que promova a diversidade, o consentimento e o fim do bullying, numa realidade onde quase três em cada quatro estudantes LGBTQIA+ continuam a ser vítimas de violência na escola”.
Publicado em: 26/09/2026