O treinador do Moreirense, Vasco Botelho da Costa, esteve na sala de imprensa do Estádio Comendador Joaquim de Almeida Freitas para a antevisão do encontro com o Benfica. A partida da 3ª jornada da Liga realiza-se esta quarta-feira, pelas 20h45.
Pouco teve pouco tempo para preparar o jogo com o Benfica. Que expectativas tem para este encontro?: “Os jogos são todos difíceis. Além de termos que jogar com o excelente valor do nosso adversário, temos aqui o handicap extra que é a questão do tempo e da recuperação. Nós normalmente passamos o onze no dia anterior, desta vez temos que esperar até amanhã, porque efetivamente é uma novidade para nós. Isto é tudo muito físico e, portanto, nós reagimos a estímulos. Uma coisa é os nossos jogadores estarem permanentemente habituados a jogar de três em três dias, outra coisa é não estarem. Como é óbvio, trabalhamos para estar, para chegar todos a esse patamar um dia, o que é bom, mas ao contrário daquilo que parece não estamos a falar de uma eliminatória europeia. E, portanto, sem dúvida que esse vai ser o nosso primeiro grande adversário. Agora, a verdade é que não podemos fazer nada, sabíamos que ia ser assim e, portanto, tentar pôr isso de parte, preparar o jogo da melhor forma possível, sabendo que também temos aqui algumas condicionantes, nomeadamente no meio campo, com a não utilização do Veloso e a expulsão do Liberato. Olhar para isto como uma oportunidade de crescimento e de evolução, até para nós, enquanto equipa técnica. Ter que preparar jogos num curto espaço de tempo acaba por ser uma novidade.”
O que é que o Moreirense pode transportar do jogo com o FC Porto, em que vendeu cara a derrota, para este embate com o Benfica?: “No mínimo, temos que igualar os índices competitivos que tivemos no último jogo, mas, preferencialmente, superá-los. De resto, são jogos diferentes, principalmente do ponto de vista tático, a forma como temos que atacar, a forma como temos que defender. Não estamos a falar de dois adversários que jogam de igual maneira. Sem poder ir muito ao campo e preparar esse aspeto, sabemos que a nossa primeira grande preocupação para este jogo é o lado competitivo, é o chamado andamento, é a intensidade. Temos que, de alguma forma, ter capacidade para superar aquilo que fizemos no último jogo se quisermos ser competitivos e lutar pelo resultado, como queremos muito. Contamos também muito com o apoio dos nossos adeptos. É importante para nós que fique bem vincado que é o estádio do Moreirense, os nossos adeptos estão presentes a puxar por nós, porque precisamos de todo o apoio possível para conseguirmos dar uma boa resposta.”
O que é que o Moreirense precisa fazer mais para adicionar pontos à exibição?: “O jogo, do ponto de vista tático, vai ser diferente. E, portanto, é complicado eu fazer aqui uma analogia em termos de números. Nós estamos numa fase do jogo em que a dimensão física, a intensidade, o andamento, a agressividade, está com muito, muito peso e com muita influência. Isso vê-se no próprio padrão de contratação de grande parte dos clubes. Agora, o jogo depois não deixa de ter o lado tático. E é aí que o jogo é bastante diferente. Nós acreditamos que para conseguirmos ter sucesso, temos que, no mínimo, igualar esse lado competitivo do jogo com as melhores equipas do campeonato. Estamos a falar de uma equipa que coloca muita gente entre linhas, força muito o jogo interior, mas também, quando o jogo vai para fora, tem capacidade para conseguir desequilíbrios a partir do jogo exterior. E depois, ofensivamente, os espaços que nos dá acabam por ser diferentes do que o nosso último adversário. Daí eu dizer que o jogo é completamente diferente.”
Será um Moreirense mais contido ou mais ambicioso do ponto de vista ofensivo?: “Desde que nós chegámos criamos um Moreirense que gosta de pressionar, que gosta de jogar com bola. Portanto, se o nosso adversário nos permitir, esse é o jogo que nós vamos fazer. Se, muitas vezes, não é o jogo que nós fazemos, é porque nós não jogamos sozinhos, os nossos adversários têm valor, muito valor. Agora, sabemos que quando defrontamos adversários de valor, temos que entregar uma componente um pouco mais estratégica àquilo que é o jogo e estamos dependentes da abordagem do nosso adversário. Temos que saber dar resposta se o jogo tiver características completamente diferentes porque, hoje em dia, é fácil para nós conhecer aquilo que são os padrões dos nossos adversários. Mas, como eu já disse, quando defrontamos treinadores de qualidade que também preparam o jogo na sua visão, o jogo muitas vezes torna-se diferente.”
É um Benfica melhor com João Palhinha?: “Estamos a falar de um grande jogador que é internacional, que esteve nesta casa e é bastante querido por muitas das pessoas que cá estão. Mas, a partir daí, estar a falar de um jogador de um plantel que está recheado de internacionais, de jogadores com provas dadas, que semanalmente são capas de jornais e que têm muito impacto, parece-me redutor. Estamos a falar de uma equipa que, como eu disse, vale pelo todo da sua estrutura, desde o seu treinador aos atletas. Estão num bom momento, é uma equipa ofensiva mas, ao mesmo tempo, uma equipa que, como todas, não é perfeita. Temos uma expectativa daquilo que o jogo pode ser e olhar apenas para o nosso adversário pelas suas características. Muito focados em nós porque é essa a nossa forma de estar independentemente de quem temos pelo lado lá. Respeitamos todos por igual mas, como sempre, vamos olhar para o jogo na busca dos três pontos.”
Que peso podem ter as duas ausências no meio-campo?: “É o que é, não os temos presentes. O nosso plantel é um plantel apetrechado, com diferentes soluções. Obviamente que o mercado fechou há muito pouco tempo, ainda precisamos de tempo. Quem estiver vai estar em grande nível e vai, como todos nós no Moreirense, lutar pelos três pontos amanhã.”
Como ficou o plantel após o fecho do mercado?: “Acho que ficou mais forte do que aquele que terminou na época passada, não tenho a menor dúvida disso. Um plantel muito à imagem daquilo que é o nosso projeto, com muitos jogadores jovens, jogadores de qualidade e um misto de alguma experiência também. Temos, seguramente, mais do que uma solução por posição, com diferentes características para podermos adotar diferentes estratégias. Temos, por exemplo, extremos que jogam bem por dentro, extremos que jogam bem por fora, extremos que são mais associativos e extremos que vão mais à profundidade, ou seja, dentro da posição nós temos diferentes características que nos permitem abordar os jogos com estratégias diferentes em função daquilo que é a nossa ideia, daquilo que é o nosso adversário. Portanto, estamos muito satisfeitos com todos.”
Publicado em: 08/09/2026