O têxtil é parte da memória e do futuro de Guimarães. Foi com esta ideia que abriu oficialmente a 8ª edição da Contextile – Bienal de Arte Têxtil Contemporânea, numa cerimónia realizada no passado sábado no átrio do Centro Cultural de Vila Flor, antes da abertura da exposição internacional patente no Palácio de Vila Flor..
“Este é sempre um momento especial, o culminar de muitos meses de trabalho, de preparação, diálogo e colaboração entre artistas, curadores, instituições, parceiros, equipas técnicas e tantas outras pessoas que tornaram possível construir esta edição”, afirmou Joaquim Pinheiro, num momento que reuniu os participantes e entidades responsáveis pelo apoio do projecto iniciado em 2012, ano da Capital Europeia da Cultura.
“Há mais de uma década que está a ser constituído a partir de Guimarães um projecto dedicado à arte têxtil contemporânea, profundamente ligado à identidade deste território e, mesmo tempo, cada vez mais aberto ao mundo”, acrescentou, ao sublinhar que é “a partir desta herança, mas também da capacidade de inovação e transformação do território que a Contextile tem vindo a afirmar-se”. “A Bienal é uma plataforma internacional de encontro e de intercâmbio, aproximando artistas e públicos de diferentes geografias. A dimensão internacional desta edição é demonstrativa desse percurso, com a exposição internacional a receber 2036 candidaturas apresentadas por 1604 artistas, de 81 países, tendo sido seleccionadas pelo júri 54 obras, de 51 artistas, provenientes de 27 países.
“A Contextile é muito mais do que uma exposição, durante 85 dias, Guimarães acolherá uma programação ampla e multidisciplinar, com exposições, residências artísticas, workshops e talks, acontecendo dentro dos espaços expositivos e em diálogo com a cidade, com o território e com as pessoas”, assinalou, referindo que por Guimarães ser Capital Europeia da Cultura esta edição “reforça uma reflexão que o evento tem vindo a integrar no seu percurso entre arte, criação contemporânea e sustentabilidade”, preservando “materiais e saberes, experimentar novas práticas e sobretudo criar novas formas de olhar para aquilo que nos rodeia”. “No têxtil estas questões são relevantes, sendo um sector ligado à identidade da comunidade que se encontra em transformação, com a reutilização de recursos, a circularidade dos materiais e a responsabilidade ambiental assumem cada vez mais importância.
Em representação do Município, a vereadora Vânia Dias da Silva realçou que “Guimarães é uma cidade profundamente ligada ao têxtil e ao fio”. “Não apenas ao fio enquanto matéria-prima de uma atividade económica que marcou a nossa história e moldou a nossa paisagem social, mas também ao fio enquanto símbolo de uma identidade colectiva construída através do trabalho e do esforço de todo um povo”, disse, ao considerar que a Contextile “é um projecto singular, porque não olha para essa herança como uma peça de museu, mas olha para ela como uma matéria viva permanentemente reaberta à reinvenção”.
“Ao longo das suas sucessivas edições, a Bienal soube afirmar o têxtil como uma linguagem artística contemporânea capaz de interpelar os grandes desafios do nosso tempo. Da sustentabilidade ambiental à economia circular, da valorização dos materiais à reflexão sobre os modelos de produção e consumo que caracterizam as sociedades actuais”.
Nesta edição, intitulada ‘por um fio’, continuou, “encontramos uma metáfora particularmente enfática: um fio pode representar fragilidade e vulnerabilidade”. “É a partir do fio que se tecem as tramas, que se criam as relações e as ligações do tecido, e que se constroem novos sentidos para o mundo em que habitamos. É a este lado do fio, por mais fino e quebradiço que possa parecer, que nos devemos agarrar para o fortalecer”, destacou Vânia Dias da Silva.
Lembrando que há 30 anos, “Guimarães estava precisamente por um fio em matéria de sustentabilidade”, a vereadora observou que actualmente ,”sem perder esse fio, o tal fio da ligação e da construção, o trabalho daquele povo está à vista. O nosso modo de vida não se perdeu, renovou-se. O nosso modo de vida não se esgotou, tornou-se mais sustentável. O nosso modo de vida não se resumiu ao tecido económico, fez cultura, fez tradição e fez inovação”.
Com a presença de dezenas de artistas, a sessão de abertura com intervenções do Diretor Geral das Artes, Américo Rodrigues, e do vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, Rui Costa, contando com a participação do deputado socialista na Assembleia da República Paulo Lopes Silva.
O artista mexicano Daniel Fernández Carrillo, com Paisaje revelado, foi o vencedor do prémio aquisição da Contextile 2028, sendo atribuídas menções honrosas a Salima Hakim, da Indonésia, e Raul Martinez, dos EUA.
Programa com exposições em diferentes locais
Exposição internacional
Palácio Vila Flor – CCVF
Artista Convidado – Ai Weiwei –
“Fabrication” | CIAJG
“Camouflage” | PAC – Praça das Artes e da Criatividade
“Net” | Tanques de Couros
“Uma mudança no tempo? Narrativas materiais numa era de incerteza”
Palacete de Santiago
Sociedade Martins Sarmento
Galeria Garagem Avenida
“Tecer o Verde” – intervenções de arte pública
Jardim do Mercado Municipal
Convento de Santo António dos Capuchos
Largo Conde Arnoso
Museu de Alberto Sampaio
Arquivo Municipal Alfredo Pimenta
“Emergências”
Ensino Artístico e Criação Têxtil
IDEGUI – Instituto de Design de Guimarães
“Casa em crescimento”
Edifício do Curtir Ciência em Guimarães
Publicado em: 07/09/2026