O treinador do Moreirense, Vasco Botelho da Costa, esteve na sala de imprensa do Estádio Comendador Joaquim de Almeida Freitas para a antevisão do encontro com o FC Porto. A partida da 5ª jornada da Liga realiza-se esta sexta-feira, pelas 20h15.
Depois da primeira vitória da época, a equipa está motivada para um encontro em que não é necessária a motivação extra?: “Como eu tive a oportunidade de dizer na época passada, é daqueles jogos que nós sentimos bem na pele o quanto os jogadores querem jogar de frente ao campeão nacional, uma excelente equipa. Mas, estamos claramente num momento onde temos de nos concentrar muito em nós para também dar seguimento a esse bom resultado. Com as alterações que tivemos no plantel, ressentimo-nos um bocadinho das boas rotinas que nós trazíamos da época passada. Enquanto equipa técnica, queremos adaptar-nos a esses novos jogadores e às suas características e percebermos como conseguir encaixar na nossa ideia essas mesmas características para que a equipa seja mais competente e mais forte.”
O que é que o Moreirense pode tentar fazer para procurar marcar ao FC Porto e somar pontos?: “É uma daqueles jogos onde nós sabemos que vamos estar muito tempo a defender. Não é aquilo que nós mais gostamos, mas também é aquilo que nos tem acontecido muito nesta época. Aquilo que é mais difícil trabalhar é a parte ofensiva e é aí onde eu sinto que a nossa equipa ainda está um bocadinho atrás daquilo que nós queremos. O jogo com o Casa Pia colocou-nos muito tempo a defender. Também tivemos muito esse estímulo no jogo com o Sp. Braga e, portanto, nós sabemos que frente ao FC Porto vamos ter momentos onde temos que dar as mãos, defender a nossa baliza. Também sabemos que o FC Porto é uma equipa que pressiona de uma forma muito agressiva e esse tipo de pressão também gera espaços, gera eventuais desequilíbrios e nós obviamente que temos que estar preparados para conseguir aproveitar esses mesmos espaços. E de certeza absoluta que vamos ter algumas ocasiões de criar perigo e de chegar à baliza do FC Porto. A grande diferença nestes jogos é que chegamos menos vezes do que aquilo que queremos e que gostamos e quando chegamos temos que fazer a diferença. E, portanto, é muito sobre isso, fazer a diferença nos momentos que tivermos a oportunidade para fazer e depois dar seguimento e dar passos em frente naquilo que é o nosso crescimento do ponto de vista defensivo enquanto equipa.”
O FC Porto é um adversário ainda mais difícil de bater do que a equipa da temporada passada?: “É um FC Porto que manteve muito daquilo que é a sua identidade. É a mensagem que o treinador tem passado, que é especializar-se ainda mais naquilo que já faziam bem. A parte que acaba por ser um pouco mais vantajosa é que sentimos que conhecemos bem, mas de conhecer bem é conseguir parar vai algum caminho. Além da ideia ser uma ideia muito vincada, bem trabalhada e preparada para diferentes abordagens, tem os jogadores com muita qualidade individual que fazem a diferença nos momentos em que têm a fazer a diferença e em que o coletivo não consegue resolver. Temos que olhar muito para nós, perceber quais é que têm que ser os nossos comportamentos nos diferentes momentos do jogo, para que depois, no final, se fizermos a maior parte das coisas bem feitas, acreditarmos que estamos mais próximos de poder trazer um resultado positivo.”
Qual é a versão do Moreirense que mais se aproxima da realidade, a do empate com o Sp. Braga, a da derrota em Arouca ou a do triunfo com o Casa Pia?: “A versão é uma versão que está claramente inacabada. Portanto, espero que não seja nenhuma, espero que seja melhor do que tudo aquilo que nós temos feito até aqui, porque temos mais tempo de trabalho, temos mais conhecimento uns dos outros. Infelizmente, o mercado ainda não fechou e, portanto, com estas alterações também não é fácil ter conhecimento total de alguns atletas que se juntaram há pouco mais de uma semana, alguns deles há dois dias. E, portanto, estamos claramente naquele período onde temos um período muito aquisitivo e, portanto, a versão é uma versão que tem que obedecer àquilo que são os nossos princípios, à nossa identidade, porque nós, de uma forma muito vincada, somos uma equipa que não gosta de passar muito tempo a defender, sempre que possível gostamos de pressionar os nossos adversários e gostamos de ser fortes e ofensivos. Como eu disse, acho que do ponto de vista defensivo estamos no bom caminho, já com níveis interessantes para aquilo que nós queremos ser, do ponto de vista ofensivo ainda não, bastante longe até. Sabemos que vai levar o seu tempo, mas ao mesmo tempo temos que conseguir resultados e, portanto, casando toda esta evolução necessária com o facto de o mercado só agora fechar.”
Quão difícil é ter os jogos com o FC Porto e Benfica consecutivamente?: “Em relação ao calendário, o que vem a seguir vemos depois. Longe de nós, estar aqui a focar-nos naquilo que vem a seguir. Depois, quando chegarmos a sábado, logo pensaremos naquilo que são os jogos seguintes.”
O que ainda falta ao plantel do Moreirense? O que implica estar a preparar jogos com adversários que ainda recebem reforços?: “Em relação ao mercado, acho que era algo que devia ser pensado. Sei que não é só uma questão portuguesa, é algo que extravasa, mas acho que não é uma situação muito confortável, porque aumenta muito a incerteza. Em relação a preparar adversários que também recebem jogadores a conta gotas, digamos assim, no caso do FC Porto, tendo em conta que tem um padrão muito bem definido, uma ideia muito bem definida, não atrapalha assim tanto, ainda que, obviamente, as características dos jogadores mudem. Aquilo que eu vou olhar é, ao dia de hoje, quem é que eu tenho para treinar, amanhã quem é que eu tenho para treinar, como é que eu vou preparar o jogo, o que é que o FC Porto faz. Não dá para perder muito tempo e muitas energias, genuinamente acredito que isso não nos leva a lado nenhum. É muito interessante para nós, na perspetiva da equipa técnica, já termos tido aqui um ano de aprendizagem destes jogos, são jogos onde nós não conseguimos ter sucesso do ponto de vista do resultado. Sem fugir à realidade da nossa Liga, onde todos nós lutamos pela manutenção de uma forma muito afincada, mas temos sempre aquela ambição de poder fazer melhor. Mas, para isso temos de nos focar em nós, sentimos que ainda estamos significativamente atrás do ponto de vista de processo.”
Ainda espera pelo Chipyoka Songa? Há a possibilidade de haver saídas do plantel?: “De uma forma honesta, sei que há ainda a possibilidade de ele chegar, mas também não estou por dentro o suficiente para perceber se vai acontecer hoje, se vai acontecer amanhã. Em relação a saídas não sei de nada, estamos tão próximos do jogo que o foco é quem é que eu tenho hoje para treinar, quem é que joga. Sabemos que não somos multimilionários para ir buscar quem queremos como queremos, também sabemos que não controlamos aquilo que acontece a nível de saídas, até porque, como eu já disse muitas vezes, o Moreirense é um clube vendedor.”
Publicado em: 03/09/2026