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Escola-Hotel: Uma obra com memória e um desafio para o futuro de Guimarães

Bolama
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Há dias passei pela Cruz de Pedra e voltei a olhar para a Quinta do Costeado. A obra da futura Escola-Hotel está a avançar a bom ritmo e aproxima-se da conclusão.

Conheço aquele espaço há muitos anos. Durante demasiado tempo foi património à espera de um destino. Em breve será conhecimento, juventude e vida.
Ao longo dos próximos anos, milhares de estudantes passarão por ali. Haverá professores, investigação, hotelaria, turismo, restauração e novas oportunidades. Um espaço com história vai ganhar uma nova história. E Guimarães vai ganhar muito com isso.

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Quando uma obra desta dimensão se aproxima da conclusão, é justo recordar o caminho feito. Não para disputar protagonismos, nem para retirar mérito a quem hoje tem a responsabilidade de a concluir. Apenas porque Guimarães deve saber respeitar a sua memória.

A Escola-Hotel começou a ganhar forma em 2017, através de um trabalho conjunto entre o Município de Guimarães, então presidido por Domingos Bragança, o então Instituto Politécnico do Cávado e do Ave, hoje Universidade Politécnica do Cávado e do Ave, e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.

Nesse percurso há pessoas que merecem ser lembradas. O distinto e saudoso Professor João Carvalho teve um papel determinante na afirmação do IPCA em Guimarães e no impulso que conduziu à criação da Escola Superior de Hotelaria e Turismo. Teve visão e percebeu cedo a importância de reforçar a presença do ensino superior no território do Ave.

A Professora Maria José Fernandes deu continuidade a esse caminho e acompanhou uma fase decisiva do projeto. A atual Reitora da Universidade Politécnica do Cávado e do Ave, Professora Alexandra Malheiro, conhece igualmente esta realidade de perto, tendo anteriormente dirigido a Escola Superior de Hotelaria e Turismo.

Em 2018, o Município concretizou a aquisição da Casa do Costeado e dos imóveis destinados a acolher a futura Escola-Hotel. Foi uma decisão acertada. Não se procurou apenas um local para instalar uma escola. Escolheu-se recuperar património, devolver vida a um espaço com história e criar ali uma nova centralidade ligada ao conhecimento.

O caminho não foi simples. Houve procedimentos, dificuldades, atrasos e a necessidade de insistir. O primeiro procedimento para a empreitada não permitiu a adjudicação. Foi necessário lançar um novo concurso e encontrar soluções para que o projeto pudesse avançar. A obra acabaria por arrancar em 2023.

Hoje, o investimento total da operação ultrapassa os 17 milhões de euros, beneficiando de cerca de 14 milhões de euros de financiamento europeu através do NORTE 2030.

Importa recordar este percurso por uma razão simples.

As obras não começam no dia em que se cortam as fitas.

Muito em breve chegará a inauguração. Quem hoje governa Guimarães tem toda a legitimidade para concluir a obra, inaugurá-la e celebrar a sua entrada em funcionamento. Assim deve ser.

Mas é igualmente justo dizer, com serenidade e clareza, que esta obra não nasceu agora. Foi pensada, projetada, preparada, contratualizada e iniciada antes da atual governação municipal.

Reconhecer esta realidade não diminui ninguém. É respeitar os factos e a memória de Guimarães.

Guimarães não pode recomeçar de quatro em quatro anos. Continuar bem o que está bem feito também é governar.

Mas a Escola-Hotel não vale apenas pela sua história. Vale, sobretudo, pelo futuro que vai ajudar a construir.

Guimarães é já um território de conhecimento e de estudantes. E pode ser muito mais. A Escola-Hotel representa mais um passo decisivo na ligação da cidade ao ensino superior, ao conhecimento, à inovação e aos jovens.

Vamos ter mais estudantes, uma relação mais próxima entre o ensino superior e as empresas, mais empreendedorismo, mais investigação e mais oportunidades. E teremos também novos desafios. O alojamento, a mobilidade, a ligação ao tecido económico e a capacidade de criar emprego qualificado terão de acompanhar esse crescimento.

O verdadeiro desafio não é trazer jovens para Guimarães. É dar-lhes razões para ficar.

Não basta formar talento para depois o ver partir. Temos de criar em Guimarães as condições para que quem aqui estuda queira também aqui trabalhar, empreender, viver e construir o seu futuro.

É aqui que a Escola-Hotel pode fazer verdadeiramente a diferença. Não apenas pelo que vai acontecer dentro dos seus edifícios, mas por tudo aquilo que pode transformar à sua volta.

Mais estudantes significam mais vida na cidade, mais comércio, mais restauração e mais serviços. Mais conhecimento pode significar novas empresas, mais inovação e uma relação muito mais próxima entre a universidade e a economia. E mais talento só será verdadeiramente uma oportunidade se formos capazes de o fixar no nosso território.

É esta a visão que Guimarães precisa: olhar para cada investimento para além da obra física, perceber o que gera, o que transforma e o legado que deixa.

Uma Escola-Hotel não pode ser apenas uma escola e um hotel. Deve ser uma porta aberta entre o conhecimento e as empresas, entre os estudantes e o mercado de trabalho, entre a formação e a inovação. Deve ajudar Guimarães a afirmar-se ainda mais nas áreas do turismo, da hotelaria e da restauração, setores nos quais a qualificação, a inovação e a capacidade de atrair talento serão cada vez mais determinantes.

No fim, Guimarães não se mede apenas pelas obras que inaugura, mas pela capacidade de transformar essas obras em futuro.

A Escola-Hotel será importante pelo património que recupera e pelos edifícios que ficarão. Mas será verdadeiramente importante pelo conhecimento, pelo talento, pelas oportunidades e pela vida que vai gerar.

É assim que Guimarães deve avançar: com memória para reconhecer o caminho feito, coragem para decidir e confiança no futuro.

Porque uma obra só deixa verdadeiramente um legado quando cria oportunidades, melhora a vida das pessoas e ajuda a construir o futuro.

Publicado em: 31/08/2026

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