João Henrique Faria não escondeu a emoção na hora da despedida do cargo de presidente da Mesa da Assembleia Geral do Vitória. Após um discurso em que se emocionou, foi ovacionado de pé pela plateia.
Responsável pela realização do último ato eleitoral, João Henrique Faria foi contundente: “Confesso-vos que a parte final do meu mandato não foi aquela que desejava. Nunca esperaria que a minha integridade e honestidade, bem como da equipa que tive a honra de encabeçar da Mesa da Assembleia Geral, fossem maltratadas na praça pública, de forma leviana e gratuita, como foram por uma das listas candidatas, apenas porque se entendeu não aceitar a decisão dos sócios. Vitorianos, no momento em que termino as minhas funções, quero deixar-vos uma certeza. Ao longo de todo o processo eleitoral, a Mesa da Assembleia Geral foi rigorosa no cumprimento da lei e dos Estatutos. Foi imparcial e justa. Procurou e obteve o consenso de todas as candidaturas, repito, de todas as candidaturas, sobre os processamentos adotados, até ao mais ínfimo dos pormenores, consenso esse que foi desmemoriado e descartado por alguns após a proclamação dos resultados eleitorais. Mas, relativamente a este tema, invoco o que São Paulo escreveu na sua Epístola aos Gálatas, ‘cada um carregará o seu próprio fardo, ou cada um prestará contas das suas ações’.” Não levo nem a mal que manifesto reconhecimento e gratidão aos meus estimados companheiros da Mesa da Assembleia Geral, que sempre estiveram presentes, a Paula Sofia e o Francisco Magalhães. Agradeço a todos os vitorianos, aos membros dos órgãos sociais e, com especial carinho, aos trabalhadores do Vitória, principalmente àqueles que mais diretamente lidaram comigo neste e no anterior mandato. A todos vos digo, não vos desiludi, nem nunca vos desiludirei. Mas tudo isto é passado, e o Vitória é esperança e é futuro.”
Depois, deixou uma mensagem para o futuro: “O Vitória que pretendo é povo, é integração, é inclusão, é educação, é formação, é solidariedade. O Vitória tem que ser um ninho onde os jovens se depositam para fazer despontar os seus sonhos. Um Vitória vivo é um Vitória que cumpre a sua identidade, que não vacila na defesa dos seus princípios. É certo que o mundo atual tende a reduzir a pó os valores consignados pelos nossos fundadores, o que torna difícil defendê-los e assegurá-los. Contudo, também vos digo que os grandes marinheiros e capitães se revelam nas maiores tormentas. É por isso que, neste momento, não posso deixar de agradecer ao presidente António Miguel Cardoso. Ele que foi um verdadeiro almirante desta armada, bem como a todos os membros da Direção cessante que, garanto-vos, tudo deram e muito sofreram para que este grandioso e belíssimo navio que é o Vitória, navegasse seguro, apesar de o fazerem sempre mais revolto e muito perigoso. António, foste um grande Presidente. Implantaste o teu projeto e elevaste o prestígio de Vitória nas instituições responsáveis pelo desporto, tudo isso sobre um caminho difícil e tortuoso.”
À nova Direção, João Henrique Faria lembrou que “o futuro desafia-nos, exige-nos ambição, trabalho, competência e responsabilidade. Mas exige-nos também união e a capacidade de compreender que tudo aquilo que nos une é infinitamente maior do que aquilo que nos pode separar. Se soubermos preservar este espírito fraterno que os nossos estatutos consagram, se soubermos honrar aqueles que nos antecederam, se soubermos colocar o Vitória acima de qualquer interesse individual, então teremos todas as razões para olhar para o futuro com confiança. Ao presidente Rui Rodrigues, desejo que os ventos soprem a seu favor. Felicito todos os que foram escolhidos pelos associados para servir o Vitória Sport Club nesta nova etapa e desejo-lhes a maior sorte no exercício das suas funções. Peço-vos que tenham a vontade, a força para agir e o discernimento para avaliar o que verdadeiramente é do interesse superior do Vitória Sport Club.”
Publicado em: 19/06/2026