Uma exposição de peças de olaria, elaboradas durante uma acção de formação realizada em parceria com a Casa do Povo de Fermentões, pode ser visitada no Museu de Agricultura de Fermentões.
Orientados pela mestre-oleira Fernanda Braga, os participantes esmeram-se na execução das operações de manuseamento do barro e na modelagem das peças, dominando as técnicas leccionadas no curso de 50 horas, em horário pós-laboral, promovido pela Castelform.
Na inauguração realizada no passado sábado, o Presidente da Casa do Povo de Fermentões enalteceu o contributo da iniciativa, proporcionando um diálogo criativo com o rico espólio do Museu. José Fernandes destacou a importância daquele espaço para manter viva a ligação ancestral ao mundo rural, garantindo a preservação e divulgação de uma herança patrimonial que faz parte da identidade do território vimaranense.

Agradecendo a persistência da mestre-oleira Fernanda Braga, o responsável reconheceu a criatividade das peças moldadas no barro pelas mãos dos formandos e que surgem dispersas pelo Museu, convidando a uma visita demorada. José Fernandes aproveitou ainda o momento para elogiar o empenho e a dedicação da vice-presidente da Casa do Povo de Fermentões, Madalena Nunes Sá, responsável pela dinamização do Museu. “Temos um espólio que merece ser conhecido e partilhado, documentando momentos da vida rural que estão muito enraizados na região”, observou.
A mestre-oleira Fernanda Braga realçou o entusiasmo dos formandos, “pessoas muito interessadas nos saberes e técnicas associadas à olaria”, congratulando-se com o interesse crescente em Guimarães, assegurando a continuidade e a revitalização deste ofício tradicional. “A acção de formação surgiu a convite da Castelform e resulta de uma outra formação que orientei nos Fornos da Cruz de Pedra que despertou muito interesse por parte do público em geral. Foram mais de 90 pessoas que manifestaram interesse em participar. Esta formação decorreu agora em horário pós-laboral, no Museu de Agricultura de Fermentões, com a participação de muitos professores das Actividade de Enriquecimento Curricular, com formação em artes, com muito entusiasmo e motivados em partilhar com as crianças este saber manual. Será uma forma de desenvolver a motricidade, a criatividade, preservando algo que é muito nosso: a olaria”, frisou Fernanda Braga, lembrando que volvidas três décadas de ligação intensa à herança tradicional, continua a sentir a magia do encontro inicial com o barro, “para dar continuidade à cantarinha dos namorados”. “Passados estes anos todos, sinto um interesse crescente, o que para mim, partilhar aquilo que aprendi com o meu mestre, é quase cumprir uma missão”, confessou, satisfeita com a qualidade das peças produzidas pelos formandos e que podem agora ser descobertas no Museu de Agricultura de Fermentões.

A visita está sujeita a marcação prévia, constituindo uma oportunidade para conhecer o museu comunitário – uma das valências culturais da Casa do Povo de Fermentões. A recolha de peças para a sua criação iniciou-se por volta de 1973, encontrando-se instalado no edifício da antiga “Escola Primária do Motelo”. Foi inaugurado em setembro de 1983, por altura da “Festa do Agricultor”, continuando a ser uma referência para a compreensão da intensa ligação do território às diferentes actividades agrícolas.
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Publicado em: 02/06/2026