O secretário-geral da CGTP-Intersindical, Tiago Oliveira, esteve esta segunda-feira em Pevidém, numa acção de contacto com os trabalhadores da empresa Lameirinho, onde criticou duramente o pacote laboral e as políticas laborais e económicas do Governo, apontando o aumento do custo de vida e os baixos salários como alguns dos principais problemas enfrentados pelos trabalhadores portugueses.
Em declarações ao Grupo Santiago, o dirigente sindical afirmou que o acesso à habitação aumentou “cerca de 35%” nos últimos dois anos, sublinhando também o impacto da subida dos preços dos combustíveis e dos bens alimentares essenciais. Tiago Oliveira destacou ainda os lucros da petrolífera Galp, considerando que os trabalhadores continuam a ser os mais penalizados.
“Nos primeiros três meses deste ano coincidiu exatamente o maior aumento de lucros da Galp, mais 40% face ao ano anterior, com o momento em que foi pedido mais esforço aos trabalhadores e aos portugueses”, afirmou.
O líder da CGTP criticou igualmente o modelo económico assente, segundo disse, na perda de direitos laborais em nome de futuras melhorias salariais que “nunca chegam a acontecer”. Como exemplo, apontou a evolução do salário mínimo nacional.
“Hoje o salário mínimo nacional não serve como ponto de partida, serve como ponto de chegada para milhares de trabalhadores”, referiu, acrescentando que existem actualmente cerca de 900 mil trabalhadores a receber o salário mínimo e mais de 2,4 milhões com salários até aos mil euros mensais.
Durante a intervenção, Tiago Oliveira questionou ainda o impacto das novas tecnologias e da automatização no mercado de trabalho, defendendo que os ganhos de produtividade não se têm refletido nem na redução dos horários nem na melhoria dos salários.
“Entramos hoje num supermercado com cada vez mais máquinas automáticas, mas os trabalhadores não viram os salários aumentar nem os horários diminuir”, afirmou.
A visita serviu também para reforçar o apelo à participação na greve geral marcada para 3 de Junho, convocada pela CGTP contra o pacote laboral do Governo. O dirigente sindical considera que este é “o momento certo” para travar as alterações legislativas em discussão.
“Não é depois de casa roubada que vamos pôr trancas à porta. É agora que temos de dar resposta”, declarou, defendendo que a greve geral poderá voltar a demonstrar a força dos trabalhadores e condicionar o avanço das medidas propostas pelo Executivo.
Publicado em: 25/05/2026