Médica Ginecologista aborda o tema CIRURGIA ÍNTIMA com a responsabilidade que merece: com base na ciência, na evidência médica e, acima de tudo, no respeito profundo por cada mulher. Ainda envolto em mitos, este tema não se resume à estética, é uma área que cruza saúde, funcionalidade, bem-estar e qualidade de vida e a sua abordagem deve assentar na ética, seriedade e numa prática médica informada pela melhor evidência disponível.
Mais do que procedimentos, falamos de pessoas, de histórias e de decisões que exigem maturidade, sensibilidade e responsabilidade. É com esse compromisso, entre ciência, ética e humanidade, que encara e partilha este tema.
Há um lugar no corpo feminino sobre o qual quase ninguém fala. Não aparece nas conversas de café, nem nos grupos de amigas, nem nas revistas da sala de espera. Durante anos, ficou escondido atrás de palavras vagas: ‘coisas de mulher’, ‘desconfortos’, ‘a idade’. Mas a verdade é que, para muitas, esse lugar dói. Resseca. Queima. Impede um abraço mais apertado, uma luz acesa no quarto, um par de calças de ganga justas. Impede, sobretudo, o prazer. Há mulheres que desistiram do ginásio porque não conseguem saltar sem perder urina. Há mulheres que evitam a intimidade não por desinteresse, mas porque a relação sexual se tornou um exercício de resistência à dor. E há mulheres que nunca disseram nada disto a ninguém. Nem ao médico. Nem à melhor amiga. Porque achavam que era assim com todas. Não é. Durante demasiado tempo, foi mais fácil aceitar o desconforto do que nomeá-lo. Mais fácil encaixá-lo no inevitável – na idade, na maternidade, no corpo que muda – do que questioná-lo. A dor foi normalizada, o silêncio perpetuado. E, no entanto, há hoje uma nova abordagem que começa, discretamente, a mudar essa realidade: a ginecologia regenerativa.
É neste território ainda pouco falado em Portugal que trabalha Belisa Vides. Aos 45 anos, natural de Guimarães, a médica Ginecologista e Obstetra construiu uma carreira sólida na medicina hospitalar, entre urgências, cirurgias, partos e acompanhamento de doentes oncológicas. Precisamente nesse contexto exigente, técnico, muitas vezes focado na prestação de cuidados prioritários de saúde começou a perceber que havia uma dimensão da saúde feminina que permanecia sem resposta.
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Publicado em: 27/04/2026