O presidente do Conselho Fiscal do Vitória, Dinis Monteiro, garante que aquele órgão vai estar atento aos últimos meses da gestão da Direção de António Miguel Cardoso. Em entrevista ao Grupo Santiago, Dinis Monteiro alerta para a necessidade do Vitória sair fortalecido deste momento eleitoral.
O Conselho Fiscal já se pronunciou sobre a demissão da direção de António Miguel Cardoso. Qual é a principal mensagem que nesta altura pretendem passar ao universo vitoriano?: “Este é um momento de instabilidade, que não era previsto. Obviamente que os vitorianos estavam à espera que este mandato fosse cumprido até ao final. Infelizmente, mais uma vez, isso não foi possível, o que vai trazer um novo ato eleitoral. É um recomeçar e obviamente traz alguma instabilidade, muito ruído, todos os vitorianos estão preocupados com este acabar de um projeto antes do tempo. O Conselho Fiscal, como é óbvio, está a acompanhar a situação, não desejava que isto acontecesse. Vai acompanhar até ao fim do mandato o trabalho que a Direção vai cumprir e está atento, porque há aqui uma situação financeira e económica da SAD que é muito sensível. Isso obriga a Direção a fazer o máximo esforço até ao fim dos trabalhos para que possa deixar o clube ou a SAD, neste caso, da melhor forma possível para ser gerível por quem vem a seguir.”
Este é um dos temas que mais tem gerado discussão nos últimos dias, a situação económico-financeira do Vitória. O que leva a este nível de preocupação?: “Penso que é do conhecimento geral de todos os vitorianos que acompanham minimamente o Vitória de perto que a situação económica-financeira do Vitória é deficitária e sensível já há muitos anos. Nós temos umas contas do final da época passada, portanto, 30 de Junho de 2025, em que tínhamos um valor do passivo já muito alto, apesar de haver uma melhoria significativa face ao ano anterior. Contudo, essas contas são baseadas numa época em que houve um alto sucesso desportivo, em que se bateram recordes de pontos, mas também se bateram recordes de receitas correntes, mas também recordes de receitas de vendas de atletas. Ora, nesta época, que não temos as receitas da UEFA e as receitas que houve de venda de jogadores foram bastante diminutas, foram conseguidas ali na janela temporal de Agosto, pelo que é mais ou menos fácil fazer as contas e entender ou subentender que há aqui um déficit grande de receitas. Se somarmos a isso uma estrutura de custos mais ou menos similar à época anterior, é fácil de entender que temos aqui um déficit grande e esse déficit faz disparar o passivo. As contas finais, obviamente, só serão disponibilizadas mais tarde, quando se fecharem as contas a 30 de Junho de 2026. E só aí é que poderá ser aferido qual foi o resultado, qual é o valor passivo e como é que ele é composto. Mas, se não houver vendas até esse momento, que é isso que a Direção está concentrada neste momento até o final das suas funções, é fácil perceber que a situação será muito delicada. Claro que teremos que esperar, mas estando atentos, esperando que a Direção possa fazer o melhor trabalho possível até sair para que a situação fique o mais controlada possível.”
Qual era o apelo que gostava deixar ao universo vitoriano para as próximas semanas, no sentido de que o Vitória saia fortalecido deste processo eleitoral?: “Eu penso, por um lado, temos que apoiar a Direção que está cesaante no trabalho que ainda tem por fazer, a ver se consegue maximizar as vendas e cumprir os objetivos minimamente a que se propôs, no sentido de poder deixar a SAD e o clube o mais controlado possível para quem venha a seguir. Isso é apoiá-los, é ir falando com eles e, obviamente, estando atentos ao seu trabalho, contribuindo, que é uma função que compete muito ao Conselho Fiscal e aos órgãos sociais que ainda, apesar de estarem em renúncia, estão a acompanhar e irão estar a acompanhar os trabalhos até o fim. Em segundo lugar, eu penso que tem que haver uma responsabilidade muito grande de quem pretende ser candidato, de ter a perfeita noção da dimensão do Vitória, mas também da dimensão da situação económico-financeira do Vitória. Tem que ter como premissa absoluta de partida, que tem que ter um projeto sólido, obviamente, com ambição desportiva, mas acima de tudo um projeto que tem que contemplar soluções financeiras para a dimensão da atual situação económico-financeira do Vitória, que é muito sensível. Como eu digo, quem souber fazer contas e quem quer concorrer, com certeza, tem que estar ajudado por pessoas da área financeira e, se olharem para os números de trás, se olharem para os números de partida, se conseguirem mais ou menos fazer um exercício de previsão, percebem que a situação é delicada. Portanto, terão que estar preparados com soluções concretas, reais, transparentes, para que possam sossegar os sócios de Vitória, para que possam escolher em paz, quando chegar a data de debate eleitoral, e perceberem exatamente em quem é que estão a votar e o que é que estão a aprovar, ou no sentido de ser implementado no Vitória. Portanto, há que haver muita responsabilidade, quem é candidato a Vitória tem que estar consciente destes números. Quanto à divulgação dos mesmos e desta realidade, eu penso que caberá certamente a Direção do Vitória ainda em funções, apesar de saída, quando entender por oportuno revelar os números, pelo menos na sua essência, para que o universo vitoriano fique a conhecer os números minimamente para perceber em que realidade é que estamos e o que é que nos espera. Penso que isso também será muito importante.”
Publicado em: 16/04/2026