Escrever a palavra “paz” sobre uma planta topográfica da cidade de Guimarães e depois explorar as ruas a caminhar, num constante despertar de ideias e impressões. Este foi um dos muitos exercícios que, ao longo desta semana, os participantes na iniciativa The Walking Body (TWB7) tiveram oportunidade de experimentar, num trabalho em que conjugaram a reflexão crítica com expressões artísticas abertas à imaginação e à criatividade, em torno do tema liberdade.
Durante a actividade em que participaram Diogo Pinheiro, Maria Ferreira, Gabriela Ribeiro, Ana Campos, Matilde Serrão, Lara Alves e Irene Tofa, tivemos oportunidade de constatar o entusiasmo da descoberta e concretização do percurso “PAZ”, calcorreando pelo quarteirão das antigas manufacturas de curtumes, a Zona de Couros classificada pela UNESCO como Património Mundial, e que corresponde ao actual Bairro C.
O evento surgiu em 2018 ligado a um projecto internacional, contando com a organização do Lab2PT, envolvendo activamente a Escola de Arquitetura, Arte e Design, da Universidade do Minho, e a Licenciatura de Artes Visuais. Por estes dias, a galeria da Garagem Avenida serve de ponto de partida e de chegada para os participantes que ali desenvolvem diariamente uma exposição intitulada “Processo”.
“Uma escola sem paredes” é o conceito que serve para definir o projecto iniciado pelo belga Geert Vermeire, ao realçar a importância de “ensinar artes ao ar livre, caminhando e explorando a cidade e a comunidade”. “A caminhada é um método criativo ao ar livre, mas também permite abrir a mente para novas abordagens pedagógicas no ensino das artes, de uma maneira mais natural, mais espontânea, mais conectada”, observou, ao sublinhar que este projecto permite conhecer “como a arte se liga com a vida diária”.
Satisfeito com a adesão registada ao longo dos anos, Geert Vermeire salientou a capacidade de envolvimento do público universitário, mas também o interesse demonstrado por outros participantes de diferentes idades ligados a instituições de ensino, culturais e sociais.
Ao longo desta semana, artistas e participantes têm desenvolvido diversas actividades como walkshops colaborativos, caminhadas híbridas com tecnologia digital, clubes de corrida, conversas com artistas, caminhada para famílias e caminhada para seniores, percursos pela Cidade.
Amanhã, a organização promove uma caminhada longa entre a Garagem Avenida e a Citânia de Briteiros, permitindo “um contacto diferente com o território”. O director do curso de licenciatura em Artes Visuais destaca que um percurso com esta dimensão, “serve para ter um contacto diferente com o território”. “Habitualmente, numa viagem de automóvel, vemos muito pouco daquilo que existe no território, permitindo a caminhada sentir a liberdade de atravessar o território, abrindo diferentes perspectivas entre a cidade e o campo”, indica Miguel B. Duarte, ao salientar que a distância a percorrer “vai causar transformações físicas e psíquicas, mas proporcionará o estabelecimento de “laços e relações entre as pessoas”, o que constitui também um exercício de liberdade.
A caminhada é aberta à participação da comunidade e tem início às 8h15, junto à Garagem Avenida.
O The Walking Body é organizado pelo Lab2PT, em colaboração com Made of Walking / The Milena Principle (B), integrando o projeto europeu WALC – Walking Arts & Local Communities, apoiado pelo programa Europa Criativa da União Europeia, em parceria com universidades e instituições culturais da Bélgica, França, Espanha e Grécia.
Nesta edição, conta com a participação de Anna Lehtelä, Geert Vermeire, Miguel B. Duarte, Natacha Antão, AVE – Associação Vimaranense para a Ecologia, ReRouting e Viviane Tabach.
Publicado em: 26/03/2026