“Os ex-combatentes não podem ser escondidos, têm de ser honrados e homenageados” apontou o Ministro da Defesa Nacional, na cerimónia de inauguração de um monumento realizada este sábado na freguesia de Airão Santa Maria.
Na iniciativa em que participaram centenas de pessoas, Nuno Melo destacou o “o significado especial” do reconhecimento dos “antigos combatentes que são heróis de Portugal, são pessoas que na força da sua juventude, para defenderem uma ideia de Pátria que era Portugal, à época, foram para territórios que desconheciam absolutamente e deram tudo”. “Muitos perderam a vida, outros sofreram ferimentos, outros voltaram, mas não podem ser escondidos, devem ser honrados e homenageados”, sublinhou o governante, considerando uma questão de justiça o reconhecimento dos ex-combatentes. “A decisão da Junta de Freguesia de Airão Santa Maria é justíssima! É uma homenagem que se replica em outras localidades do País, mas evoca a memória dos antigos combatentes, muitos dos quais felizmente ainda vivos e que partilham as suas experiências”, continuou, enaltecendo o esforço daqueles que foram mobilizados para os diferentes cenários de guerra e elogiando a iniciativa da Junta que “honra os antigos combatentes e a Pátria Portuguesa porque um País sem memória diz pouco de si”.
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Em representação do Município de Guimarães, a vereadora Vânia Dias da Silva sublinhou que não se pode ignorar “o que foi a entrega dos ex-combatentes, especialmente numa fase tão difícil como a que vivemos, em que o mundo parece tão perturbado”. “Estamos a honra a memória daqueles que entregaram a vida por nós é um dever e uma obrigação a que nos dedicamos com carinho”, disse, expressando: “queremos deixar a nossa sentida homenagem a quem por nós se levantou e a quem por nós ficou”.
Em Airão Santa Maria, existem cerca de oito dezenas de ex-combatentes, bem como a memória daqueles que partiram com a obrigação de defenderem a Pátria. O Presidente da Junta referiu que “a homenagem é merecida”, indicando que diariamente contacta com eles e ouve as suas histórias. Aliás, Miguel Dias observou que o seu pai, já falecido, também foi um antigo combatente, e sofreu “porque foi baleado em combate”, numa experiência vivida em defesa do País que o acompanhou ao longo de toda a vida.
Depois da inauguração do monumento, situado junto à Escola EB1/JI de Poças, já no interior do edifício, realizou-se a cerimónia em que foram homenageados os ex-combatentes do ultramar, naturais ou residentes em Airão Santa Maria, com a atribuição de um diploma.
O Secretário Geral da Liga dos Combatentes, Coronel Faustino Hilário, realçou a dimensão nacional da homenagem devida aos que foram chamados a combater pela Pátria, existindo já cerca de 600 monumentos espalhados pelo País. “Estes momentos não nascem por nossa iniciativa. Normalmente é o poder autárquico que incentiva as comissões de combatentes e é o reconhecimento do que representam para as comunidades por aquilo que fizeram, quer durante o período em que estiveram em África, quer por aquilo que fizeram depois. Se hoje vivemos em liberdade, devemos aos antigos combatentes que participaram no 25 de abril de 1974. Foram eles que criaram condições para o desenvolvimento da democracia”, afirmou.
Para além da Liga dos Combatentes, participaram delegações da Associação de Fuzileiros, da Associação de Veteranos Lanceiros, da Associação de Comandos e da Associação de Paraquedistas.
Publicado em: 14/03/2026