O Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Agricultura, Florestas, Pesca, Turismo, Indústria Alimentar, Bebidas e Afins (SINTAB) reuniu esta quinta-feira com o presidente da Câmara de Guimarães, Ricardo Arajo, para discutir a situação dos trabalhadores do Grupo Celeste, actualmente em processo de insolvência.
No final do encontro, o coordenador do sindicato, José Eduardo, destacou a abertura demonstrada pelo autarca durante a reunião.
“O encontro até correu muito bem. Muitas vezes, nestas situações, somos recebidos de forma apressada, porque os presidentes de câmara nem sempre estão disponíveis para dialogar connosco na defesa dos trabalhadores, mas não foi o caso. Estivemos bastante tempo a dialogar e foi mesmo um diálogo, não se tratou de monólogos”, começou por afirmar.
O dirigente sindical explicou que o sindicato levou ao Autarca a preocupação com um pormenor jurídico que poderá colocar em causa o pagamento dos créditos salariais a todos os trabalhadores do grupo.
“Há aqui um pormenor jurídico que pode inviabilizar o pagamento dos créditos salariais a todos os trabalhadores, nomeadamente aos da empresa actual. O que pretendemos é que, no processo, os administradores de insolvência considerem todos os trabalhadores como trabalhadores do grupo em si e por igual, pagando a totalidade dos créditos salariais a todos”, referiu.
Segundo José Eduardo, essa posição exige um enquadramento jurídico mais complexo por parte do sindicato e dependerá também da colaboração dos administradores de insolvência e da Assembleia de Credores.
Nesse sentido, o sindicato apelou ao presidente da Câmara para que manifeste publicamente a sua posição. “Entendemos que a opinião do presidente da Câmara é valorizada e bem ouvida. Viemos pedir que emitisse opinião demonstrando preocupação para que todos os trabalhadores sejam reconhecidos por igual na reclamação de créditos”, explicou.
De acordo com o coordenador do SINTAB, o autarca mostrou concordância com essa posição. “O presidente concordou inteiramente connosco e disse que assim o fará, emitindo opinião pública no sentido de demonstrar preocupação com este problema e para que o desfecho final seja contabilizar todos os trabalhadores como trabalhadores da empresa actual, que é o que eles são”, sublinhou.
O dirigente sindical destacou ainda as dificuldades sociais enfrentadas por muitos trabalhadores que perderam o emprego com a insolvência do grupo.
“Há situações de marido e mulher que trabalhavam na mesma fábrica e ficaram ambos sem emprego. Há famílias monoparentais e trabalhadores com filhos com necessidades especiais, que precisavam mesmo do salário completo para suprir essas necessidades”, explicou.
Segundo o sindicalista, o presidente da Câmara indicou que o Gabinete de Apoio Social do município dará atenção especial a estes casos.
Durante a reunião foi também abordada a possibilidade de venda das unidades industriais do grupo. De acordo com o sindicato, existem propostas para a aquisição das fábricas de Guimarães e de Vizela enquanto unidades produtivas.
Para o SINTAB, essa eventual venda deve garantir a continuidade dos trabalhadores. “Ao adquirirem as fábricas tal como estão, para serem unidades produtivas completas precisam dos trabalhadores. Colocar estas fábricas a trabalhar com os mesmos trabalhadores permite que funcionem logo no primeiro dia; com trabalhadores novos isso não acontecerá tão cedo”, defendeu José Eduardo.
O sindicato considera que a opinião pública do presidente da autarquia poderá ter influência nas decisões futuras. “Estas decisões terão de ser tomadas em Assembleia de Credores e os maiores credores são a Segurança Social, as Finanças e os bancos. A questão social e o equilíbrio local e regional devem ter peso. A opinião do presidente da Câmara é uma opinião de valor e pode ter peso político suficiente para influenciar decisões”, afirmou.
Recorde-se que as dívidas do Grupo Celeste rondam os 15 milhões de euros, tendo entre os principais credores a Segurança Social, a Autoridade Tributária e instituições bancárias.
Publicado em: 12/03/2026